Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 07/08/2019
Dieta da globalização
Desde o fim da Guerra Fria, com a ascensão econômica dos EUA e a sua hegemonia mundial, foi imposto um modelo de produção e consumo capitalistas de alimentos em toda a América.Entretanto, no Brasil, esse modelo passou a se intensificar no início do século XXI, através da mecanização das lavouras, o avanço da engenharia alimentícia e o aumento de propagandas televisivas de supermercados o que, por consequência, elevou o consumo de alimentos processados e, assim, de doenças relacionadas à obesidade. É necessário, portanto, o debate entre Estado e sociedade,a fim de que os erros existentes sejam sanados.
Sobre esse viés, consolida-se o pensamento de Zygmunt Bauman no que cerne à sociedade moderna ser imediatista e,com isso, as relações afetivas entre as pessoas serem frágeis, o que culmina em desconexão social e, muitas vezes, depressão e ansiedade. Com isso, o indivíduo, na tentativa de sentir prazer e se reconectar socialmente, acaba por consumir alimentos de forma compulsiva com a ilusão de suprir suas necessidades afetivas.Isso, além de ser um sustento momentâneo, causa problemas físicos, como diabetes, hipertensão e dificuldades de locomoção problemas que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) estão presentes na população obesa, a qual contabiliza 17% dos brasileiros.
Convém ressaltar, também,o documentário “Feed Up” que enfatiza a ideia da influência da sociedade estadunidense pós globalização no consumo e produção desenfreados, à medida que o indivíduo é obrigado a competir no mercado de trabalho para sua sobrevivência financeira, mas acaba por não investir na própria nutrição em meio à rapidez das rotinas modernas. Nessa perspectiva, cresce o número de pessoas acima do peso e, ao mesmo tempo, o de afastamentos nos trabalhos por consequência da subnutrição. À vista disso,o Estado brasileiro está sobrecarregado por manter financeiramente esses tipos de licenças, as quais trazem queda do rendimento do PIB do país de 0,2% por trimestre, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos problemas relacionados ao sobrepeso. Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde a promoção de campanhas, no Instagram, sobre a importância da alimentação saudável para garantir a competitividade no mercado de trabalho; e ao INSS ( Instituto Nacional de Seguro Social) a promoção de estruturas desportivas gratuitas, com o objetivo de promover a saúde dos trabalhadores e reduzir as os gastos com as consequências da obesidade. Assim, o Brasil caminhará para um país íntegro e nutrido.