Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 15/09/2019

De acordo com o documento historiográfico conhecido como “A Carta de Pero Vaz de Caminha”, os primeiros navegadores que chegaram ao Brasil ficaram impressionados com a robustez e com o aspecto sadio dos jovens índios, que, de fato, alimentavam-se abundantemente de produtos naturais e movimentavam-se constantemente através da caça. Para além do contexto histórico específico, contudo, os problemas relacionados à obesidade crescem no país, configurando-se como uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento, o que se deve à negligência acadêmica estatal que resulta em uma visão reducionista por parte do corpo social.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a inflexibilidade do sistema educacional torna-se campo fértil para a manutenção do problema. Nesse sentido, quando o estudioso do desenvolvimento intelectual, Lev Vygotsky, afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos sociais que permeiam o cotidiano de seus participantes, evidencia-se a necessidade de engajamento alimentar na educação contemporânea. Porém, contrariando essa lógica, o currículo básico brasileiro, alicerçado no tecnicismo alienante, em grande medida, prioriza temáticas de raciocínio lógico e automatizante, em detrimento de assuntos que abordam questões imprescindíveis à manutenção do bem-estar social, como o debate acerca de uma alimentação adequada que suprime problemas de saúde, de modo a prevenir a obesidade e o sobrepeso entre os jovens.

Outrossim, é importante considerar a visão preconceituosa do tecido social como catalizadora da fragilidade dessa parcela da população. A esse respeito, o pensador e jurista italiano Norberto Bobbio formulou uma explicação filosófica para o que se convém denominar como preconceito, isto é, o conceito anterior ao ato de conhecer. Nesse viés, o fenômeno explorado pelo autor se materializa quando o conhecimento acrítico e fragmentário da realidade, por parte dos indivíduos, potencializa a emergência de estigmas e atos discriminatórios em relação aos sujeitos acima do peso, ignorando as causas sociais que norteiam essa problemática, e relacionando-á, frequentemente, a fraqueza moral.

Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, fica a cargo do Ministério da Educação a efetivação de um ensino em consonância com a realidade social de seus participantes. Isso pode ser concretizado por meio de parcerias com universidades federais, que contenham cursos da área da saúde, na realização de oficinas periódicas, adaptadas ao conteúdo de cada série, que disponibilizarão debates e diálogos a respeito das consequências maléficas da obesidade e da alimentação desbalanceada, a fim de motivar a mudança do hábito alimentar dos indivíduos. Dessa maneira, poder-se-á transformar uma sociedade desenvolvida socialmente, longe de contradições perversas.