Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 23/09/2019
De acordo com o sociólogo Karl Marx, as transformações ao longo da história ocorriam quando as contradições ao bom funcionamento da vida em sociedade tornavam-se insustentáveis. Não obstante, a expressividade da obesidade no Brasil configura-se como uma das contradições mais desfavoráveis no equilíbrio de uma sociedade. Assim, torna-se primordial analisar as vertentes que englobam a realidade da fragilidade alimentar populacional e a visão preconceituosa direcionada ao sobrepeso.
É valido ressaltar, de início, o despreparo na flexibilidade alimentar como fator para os agravos no bem-estar da população. A esse respeito, parafraseando o filósofo Zygmunt Bauman, os indivíduos constantemente priorizam o prazer imediato e o pouco comprometimento com futuro, limitando o que realmente os alimenta. Sob esse prisma, o sujeito, inserido em um tecido social alicerçado pela expressividade de alimentos industrializados, acaba, por vezes, sem uma concepção crítica, absorvendo realidades alimentares errôneas, como a escolha por ultraprocessados em detrimento de refeições primordiais. Com efeito, o constante negligenciamento alimentar inviabiliza o equilíbrio ideal, posto que catalisa enfermidades como a obesidade e coloca em risco a qualidade de vida.
Outrossim, é factível que o preconceito do tecido social é igualmente fator dos obstáculos da fragilidade desse cenário. Nesse sentido, quando o educador Paulo Freire afirma a escola como mecanismo de reversão de preconceitos sociais da vida de seus participantes, ratifica a necessidade de engajamento escolar em prol da tolerância às diferenças. Porém, contrariando essa lógica, a educação no Brasil, frequentemente embasada em padrões normativos, deixa de contemplar uma didática de respeito ao próximo, o que potencializa atitudes discriminatórias, como a gordofobia. Assim, em um panorama de falta de sensibilidade interpessoal, o sobrepeso, muitas vezes, é visto como fraqueza moral, repercutindo negativamente na inclusão social e autoestima das pessoas acima do peso.
É imperioso, portanto, mecanismos energéticos no embate desse contexto. Dessa maneira, passa a ser função das Secretarias de Saúde efetivar um ambiente preventivo na redução da obesidade. Isso pode ser concretizado por meio de projetos associados a universidades que contemplam áreas da saúde, na medida em que através de diálogos e palestras nas escolas e canais de televisão aberta, com profissionais qualificados, seja possível transmitir informações adequadas na recuperação do equilíbrio alimentar e reversão de ideologias que menosprezam indivíduos acima do peso. Com efeito, poder-se-á, gradativamente, estabelecer um ambiente social desvirtuado de contradições que limitam o desenvolvimento do bem-estar populacional.