Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 14/10/2019
A Teoria Malthusiana, surgida no século XVIII, representava uma preocupação da época com a oferta de alimentos frente ao rápido crescimento populacional vivenciado. Contudo, tal previsão não tomou forma. Ironicamente, a obesidade tornou-se, hodiernamente, um problema de saúde pública. Esta problemática precisa ser combatida em decorrência das implicações à saúde dos acometidos e considerável volume de verbas públicas consumidas no tratamento dessa enfermidade, que poderia ter o número de vítimas diminuído com ações educacionais preventivas.
Mormente, deve-se apontar que a solução do problema depende de efetiva reeducação alimentar dos indivíduos. Isto posto, Kant, filósofo alemão, afirma que “o homem não é nada além do que a educação faz dele”. Nesse ínterim, é pertinente apontar que, segundo o Ministério da Saúde (MS), quase a metade dos brasileiros estão acima do peso, sujeitos às complicações de saúde correlacionadas com o sobrepeso, como problemas cardíacos e diabetes. Nesse contexto, é relevante o protagonismo que a escola, como instituição social, deve assumir nesse processo de mudança dos hábitos alimentares.
Outrossim, é fulcral perceber a lógica perversa que estimula a manutenção de rotinas de alimentação nocivas. Segundo Karl Marx, pensador alemão, no capitalismo, a busca pelo lucro supera qualquer princípio ético ou moral. Dito isso, é imperioso perceber a quantidade de empresas lucrando com a venda de alimentos de baixo valor nutricional. Sendo que os casos de enfermidades ligadas à má alimentação na sociedade não são freios morais suficientes para que este empresariado repense suas práticas. Sendo assim, é pertinente intervenção estatal, para controlar abusos inerentes à lógica capitalista que guia essas organizações.
Dessarte, segundo o MS, 5% do orçamento do Sistema Único de Saúde já é empregado para o tratamento da obesidade e contra medidas são necessárias. Urge a necessidade das escolas, iniciarem campanha de combate a esta enfermidade, através de palestras e oficinas artísticas, com a participação de nutricionistas, buscando fomentar o debate sobre a necessidade de um alimentação saudável. Ademais, é relevante ação do Governo Federal para regulamentar a qualidade nutricional da comida vendida por lanchonetes e restaurantes, considerando o impacto na saúde dos consumidores. Dessa forma, além de superar as preocupações malthusianas não só com quantidade, mas garantindo a qualidade dos alimentos.