Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 18/10/2019

“Olé!”

No filme “Wall-E”, é retratada uma distopia na qual a humanidade migra para o espaço em uma nave. Nesse ínterim, as tecnologias desenvolvidas na trama facilitam processos corriqueiros como andar, se alimentar, se exercitar e socializar. Dessa maneira, os indivíduos da sociedade fictícia transformam o corpo social em corpo obeso: de certo, o conjunto de cidadãos sedentários e acima do peso vivenciam empecilhos perante o fenômeno. Assim, fora da ficção, a relação entre o aumento dos casos de obesidade crônica e suas graves consequências imita a produção cinematográfica, sendo aquela evidenciada pelos gastos governamentais desses pacientes e por sua hodierna visão social.

À priori, é importante destacar que, em função da aceleração do contingente de quadros clínicos relacionados ao elevado peso corporal, inúmeras áreas da medicina exigem maior investimento capital do governo. Nessa esteira, dados do Ministério da Saúde apontam um aumento de 67% no número de cidadãos obesos no Brasil. Destarte, doenças e condições como infartos, problemas ósseos, respiratórios e coronarianos agravam-se sobrecarregando a agenda de tratamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Logo, é necessária a prevenção desses cenários patológicos a partir da diminuição na quantidade percentual obesa que acomete o tecido social, evitando futuros déficits financeiros.

Outrossim, observa-se uma forte pressão da indústria cultural tanto no incentivo ao consumo desenfreado de insumos alimentícios, como também na destruição da estima de seus consumidores. Por um lado, os preceitos da Escola de Frankfurt acerca da “Indústria Cultural” se estabelecem na manipulação hodierna dos espectadores por meio de propagandas excessivamente sugestivas que visam e seguem a lógica do dinheiro, forçando-os inconscientemente a consumir seus produtos sem rever consequências. Não obstante, a disseminação do padrão estético por modelos, atores e artigos em geral direcionam o imaginário popular à aceitação do magro e exclusão do “gordo”.

Portanto, é mister que o corpo social mova-se em prol do combate à obesidade. Para que o orçamento federal destinado à saúde diminua em necessidade no futuro, urge que o Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais temporárias, crie programa de prevenção ao sobrepeso. Essa medida deve ser realizada pelo SUS para que alcance a todos, além de ser constituída pelo envio de especialistas para cada cidade visando desenvolver e liderar o programa. Ademais, devem informar a população dos hábitos necessários à saúde, como uma boa alimentação e a prática de atividades físicas, dando auxílio às comunidades carentes com a criação de mercados e ginásios comunitários de livre acesso. Só assim, é possível evitar a distopia sideral e driblar o sistema cultural.