Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 22/10/2019
O ano é 2700. A humanidade é obrigada a viver em uma grande nave espacial, após ter tornado o planeta Terra poluído e inóspito. Este é o cenário de Wall-e, animação produzida pela Pixar, na qual os seres humanos vivem em cadeiras e se contatam apenas por meio dos dispositivos acoplados a elas. Sedentárias, entretendo-se com comida na frente de telas coloridas, as pessoas desenvolvem severa obesidade, que impede seus movimentos e limita suas interações. Apesar de ser uma obra fictícia, essa não é uma realidade distante dos dias atuais e se faz análoga ao estilo de vida de muitos brasileiros.
A priori, é necessário compreender a realidade do problema, assim como suas causas e consequências. Pesquisas do IBGE e dados do Ministério da Saúde apontam que o índice de pessoas com sobrepeso no Brasil aumentou consideravelmente em relação às décadas finais do século XX, sendo que mais de 10% da população é obesa. Dentre os fenômenos que ocorreram simultaneamente à intensificação da má alimentação e obesidade no país, está o desenvolvimento tecnológico, a produção de alimentos de baixo valor nutricional e os novos padrões de vida da sociedade.
Isto posto, é inegável o fato de que a facilidade tecnológica e o surgimento de plataformas de lazer substituem, muitas vezes, atividades que exigem esforço físico e movimentação. Ademais, os alimentos de má qualidade nutritiva, que em sua maioria são mais baratos e práticos, acompanham a vida agitada de muitos brasileiros de classes desfavorecidas, que têm como prioridade a subsistência da família. Sob outra perspectiva, aqueles que possuem maior poder financeiro, por vezes, consomem regularmente fast-food ou “compensam” a qualidade na quantidade.
Esse estilo de vida, porém, traz inúmeros efeitos negativos para saúde da população, como diabetes, colesterol, problemas cardíacos e indisposição e diminuem, dessa forma, a expectativa e qualidade de vida. Outrossim, estes tratamentos ficam sob a incumbência do sistema de saúde público e representam gastos, que poderiam ser poupados: de acordo com o jornal O Globo, o SUS gasta 488 milhões por ano nos recursos terapêuticos de enfermidades decorrentes do sobrepeso.
Diante desse cenário, faz-se indispensável, portanto, a criação de medidas para incentivar hábitos positivos dos brasileiros e assim, atenuar as expensas com os problemas advindos da obesidade. Além de reduzir impostos e facilitar o acesso a alimentos nutritivos, é preciso que o Ministério da Saúde informe e alerte a comunidade quanto às causas e consequências do sobrepeso, por meio de propagandas televisionadas com profissionais da saúde, em linguagem acessível. Com uma população informada e conscientizada, será possível evitar um destino como em Wall-e, e o Brasil caminhará para índices mais saudáveis.