Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 29/10/2019

No filme “Wall-e”, é retratada uma realidade na qual as pessoas vivem em estações espaciais com micro gravidade e dependentes do sistema automatizado da nave, o que gera obesidade em todos os passageiros. Fora do ambiente cinematográfico, é notório que o número de indivíduos com excesso de peso tem crescido no Brasil, em virtude de uma nutrição desbalanceada. Com isso, surge a problemática dos efeitos da obesidade na saúde pública, que decorre, infelizmente, não só pela insuficiência de medidas públicas, mas também por conta dos novos modelos de alimentação.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que dados de 2013 apurados pelo Tribunal de Contas da União, demonstram que no país a taxa de médicos para cada 10 mil habitantes é de 19,5, estando bem abaixo da média mundial. Além disso, torna-se fato que esses números são menores, quando se trata de profissionais especializados, como nutricionistas, o que dificulta e muitas vezes impossibilita o tratamento de pessoas com obesidade. O filósofo Thomas Hobbes defende um estado forte, pois esse é o único capaz de garantir a estabilidade social e fazer com que haja justiça, em analogia a esse pensamento evidencia-se a necessidade da criação de medidas públicas por meio da força do estado, a fim de combater problemas de saúde nutricional.

Vale mencionar, em segundo plano, que o acesso a comida está cada vez mais fácil e prático, uma refeição que antes demoraria horas para ser preparada, agora pode ser adquirida em minutos, seja por meio de aplicativos digitais, seja através de “fast-food”. No entanto, na maioria dos casos esses alimentos são processados ou industrializados, sendo ricos em açúcar e gordura saturada. De acordo, com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar, em paralelo a isso nota-se que um indivíduo que cresce em uma família com maus hábitos alimentares, em um ambiente repleto de comida industrializada, tende a reproduzir tais condutas, por consequência do convívio social.

Evidencia-se, portanto, que as Prefeituras Municipais e as Secretárias de Saúde, devem promover “carretas móveis”, que circulem por diferentes regiões, com a presença de nutricionistas que realizem atendimentos médicos, visando diagnosticar as pessoas que possuam obesidade e orientem sobre o tratamento mais adequado. Aliado a isso, cabe a esses profissionais agendar consultas através do SUS, para que aqueles que forem diagnosticados com a doença, possam ter acompanhamento continuo. Ademais, o Ministério da Saúde em conjunto com as escolas, devem criar oficinas educativas, visando elucidar a população a respeito da boa alimentação e prática de atividade física, por meio de palestras ministradas por profissionais de educação física e saúde. Desse modo, poderemos mitigar os efeitos da obesidade na sociedade.