Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 06/06/2020

No livro “Admirável mundo novo”, o escritor Aldous Huxley retrata uma sociedade na qual seus integrantes são destituídos de uma consciência crítica, impedindo as percepções acerca dos problemas sociais que os circundam. Contudo, essa postura alienada não se restringe à obra distópica, já que, na realidade brasileira, alguns setores políticos e sociais não têm compreendido efetivamente a gravidade, por exemplo, da obesidade, dificultando, assim, a sua resolução. Diante disso, cabe analisar essa questão no país.

De início, pontua-se que o Poder Público apresenta-se negligente ao não combater a obesidade. Isso porque existe uma deficiência no processo de educação alimentar, uma vez que falta as escolas estimularem, desde a infância, o consumo de alimentos mais saudáveis em detrimento daqueles que são ricos, por exemplo, em gorduras trans. Percebe-se, com isso, que a má alimentação tem tornado parte da população mais propensa ao ganho excessivo de massa corporal e, por conseguinte, a doenças crônicas. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.

Ademais, nota-se que uma parcela da sociedade não tem questionado a obesidade, o que denota uma banalização do mal. Confirma-se isso pela postura resignada de algumas pessoas diante do baixo investimento estatal no setor da saúde, visto que verbas suficientes não têm sido disponibilizadas para a construção e melhoria de academias públicas, dificultando, assim, o incentivo à prática de exercícios físicos. A naturalização dessa problemática pode ser explicada a partir dos estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social tem sido responsável por comprometer a capacidade crítica do indivíduo, o qual passa a aceitar, de maneira inerte, quadros negativos.

Infere-se, portanto, que a obesidade deve ser combatida. Logo, é necessário que o Estado, por meio de palestras conduzidas por profissionais da nutrição, promova, nas escolas, o estímulo a uma alimentação mais saudável, priorizando a diminuição no consumo de alimentos ricos em gorduras desde a infância, com o intuito de prevenir o ganho excessivo de massa corporal. Também, é fundamental que haja a atuação dos veículos midiáticos, mediante a realização de reportagens que exponham a relação entre o sedentarismo e os índices de obesidade, para desenvolver o senso crítico das pessoas e mobilizá-las a lutarem por um maior repasse estatal de verbas para a construção de academias públicas, visando a incentivar a prática frequente de exercícios físicos. Dessa forma, a alienação diante de impasses ficaria restrita à obra de Huxley.