Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 30/07/2020

A vida do brasileiro encontra-se em um período onde o tempo tornou-se fator determinante, e a falta deste requer que facilidades sejam incorporadas no dia a dia. O consumo de alimentos industrializados cresceu de maneira abrupta, devido á praticidade e baixo custo, em contrapartida, houve um maior descuido com a saúde. Pesquisas mostram que o Brasil é palco de números alarmantes, onde 52,5% da população enfrenta o sobrepeso. Uma entrevista feito pela BBC Brasil, com Walmir Coutinho, endocrinologista e presidente da World Obesity Federation, mostrou que, se os maus hábitos alimentares persistirem, o Brasil será o país com mais obesos no mundo em menos de 20 anos. Junto a isto, estarão atrelados problemas metabólicos e cardíacos, além de diabetes, colesterol, hiperglicemia, entre outros.

A pessoa obesa é vítima de sua fisionomia e ambiente social. Foi demonstrado, por um estudo estatístico da Universidade de Nottingham, que pais com sobrepeso, apesar de não terem nenhuma predisposição genética para o excesso de gordura, tem muito mais chances de ter filhos obesos que pessoas com peso controlado. Essa discrepância se deve principalmente ao fato de que parentes, com pouca ou nenhuma instrução sobre nutrição, criam um ambiente repleto de açucares simples, como a sacarose, e gorduras más, como a trans, que os filhos, inseridos naquele contexto, se tornam escravos dessa alimentação industrializada.

Em resposta a opressão relacionada a beleza corporal, diversos movimentos sociais têm surgido em busca de propiciar um ambiente que permita as pessoas serem quem elas são. O crescimento exponencial das modelos Plus-Size, i.e., que utilizam roupas de números altos, são um reflexo das ações de aceitação. O sociólogo Émile Durkheim afirma que os pensamentos e costumes dos indivíduos são resultados das ações sociais, que representam fatores externos ao indivíduo, mas que o influenciam fortemente. Portanto, a aceitação do conceito de beleza “acima do peso” será o resultado da desconstrução de diversos conceitos construídos ao longo de gerações.

Fica claro, portanto, a necessidade da diminuição da obesidade no país. As escolas devem ensinar a função dos alimentos desde cedo às crianças na disciplina de Ciências, em união à Educação Física, e com a participação da família no cardápio da criança, para educar o brasileiro desde pequeno. O governo, através da mídia, deve realizar campanhas de conscientização quanto aos riscos da obesidade, expondo relatos de pessoas que sofreram com este problema, mas conseguiram superá-lo.