Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 31/08/2020

No filme “O Poço”, a má distribuição de alimentos gera um sistema em que somente aqueles que estão “acima” tem o fácil acesso à alimentação. Analogamente, a arte imita a vida: por conta da má distribuição de alimentos, enquanto aqueles em condições mais precárias sofrem com a fome, outros se tornam doentes pelo excesso de comida, gerando um problema que, pela falta de políticas públicas de prevenção, se torna cada vez mais abrangente e presente na sociedade brasileira: a obesidade.

Em primeiro lugar, Thomas Malthus criou a teoria Malthusiana, em que acreditava que a capacidade de produção de alimentos crescia como uma progressão aritmética, enquanto o crescimento populacional de maneira geométrica; dessa forma, em algum momento, a quantidade de alimentos seria insuficiente para a população mundial. Todavia, essa teoria foi comprovada como equivocada e, o fato é que não faltam alimentos, e sim sua distribuição de forma igualitária. Nesse sentido, segundo o site Observatório do Terceiro Setor, o Brasil desperdiça cerca de 26 milhões de toneladas de alimentos por ano, enquanto aproximadamente 5 milhões de brasileiros passam fome ao mesmo tempo em que mais da metade da população está acima do peso e 20% dela obesa.

Em segundo lugar, a obesidade segue crescente pois os indivíduos pela falta de informação e ensino, não se dão conta -ou ignoram por não entenderem a gravidade da situação- de que além do peso em excesso, podem desenvolver ao longo do tempo diversos problemas mais graves como diabetes e doenças cardiorrespiratórias. Ademais, a preocupação com o que se consome também não é presente entre a população, que ingere produtos transgênicos e lotados de agrotóxicos, sem ter a informação de como isso afeta negativamente a saúde. Assim, cada vez mais a obesidade se torna um problema de saúde pública, uma vez que o SUS (Sistema Único de Saúde) gasta 5% das despesas totais com pacientes obesos, segundo matéria do Portal CFM (Conselho Federal de Medicina).

Destarte, é imprescindível que medidas sejam realizadas para resolver esse problema. Para isso, o Ministério da Saúde, além de campanhas de conscientização sobre os riscos que a obesidade trás, deve juntamente com o Ministério da Educação, introduzir nas escolas desde o ensino primário, aulas com informações nutricionais sobre a composição dos alimentos ingeridos e, consequentemente, a importância da boa alimentação para a saúde e orientações para prevenção de ganho de peso. Além disso, o Ministério da Agricultura também deve ser alvo de investimentos governamentais a fim de que uma forma de produção menos agressiva seja realizada, como a Agroecologia, em que o produto orgânico é cultivado sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos. Por fim, espera-se que aos poucos esse problema seja resolvido e a realidade do filme “O Poço” afastada da sociedade brasileira.