Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 04/11/2020

O rápido processo de industrialização que ocorreu no mundo a partir do século XVII provocou profundas mudanças nos hábitos alimentares dos seres humanos. O consumo exagerado de produtos industrializados aliados com a falta de atividades físicas fez com que a obesidade se tornasse uma das maiores enfermidades do tempo contemporâneo. No Brasil, o crescente número de pessoas acometidas por essa doença e suas complicações é responsável pelo engarrafamento do sistema público de saúde(SUS).

Em primeiro lugar, é imprescindível salientar que o grande número de pessoas que necessitam de atendimento médico decorrente da obesidade representa uma grande parcelas das demandas do SUS. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 41 milhões de brasileiros são obesos. Diante disso, considerando o fato que a maior parcela da população utiliza o sistema público de saúde é notório que as demandas advindas desses pacientes representam uma grande quantidade de atendimentos, principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Assim, a obesidade se soma a outras diversas doenças que acometem a população causando lotação e oneração do sistema. Dessa forma, urge a erradicação da obesidade no Brasil como forma de tornar a saúde publica mais eficiente.

Em segundo plano, é imperativo considerar as relações de causa e efeito entre a obesidade e diferentes tipos de doenças relacionadas ao sistema cardiovascular. De acordo com  a American Heart Association, pessoas acima do peso tem três vezes mais chances de sofrer um ataque cardíaco, além disso, esse grupo é considerado de risco para diversas outras doenças. Diante disso, analogamente ao exposto anteriormente, assim com a obesidade as complicações advindas com ela causam sobrecarga no SUS, especialmente em demandas cirúrgicas. Entretanto, o sobrepeso pode ser evitado por meio de uma melhora dos hábitos alimentares e com a prática de atividades físicas.

Depreende-se, portanto, mudanças comportamentais do brasileiro para se mudar o quadro de saúde atual. Cabe ao Ministério da Educação (MEC) a criação de campanhas de conscientização em relação a obesidade e a importância da prática de atividades físicas. Essa campanha deverá ser vinculada na mídia tradicional e nos canais de comunicação oficial do Governo Federal com o objetivo de atingir o maior número de pessoas possível. Além disso, o MEC deverá incluir no currículo da disciplina de educação física do ensino fundamental conteúdos relativos a melhora da saúde através de exercício físico e boa alimentação. Tal medida poderá ser feita por meio de alteração da base comum curricular e consultando professores e especialistas na área. Quiçá assim, tal hiato se resolverá e uma população mais saudável poderá ser alcançada a longo prazo.