Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 15/12/2020
No século passado, o número de brasileiros subnutridos era superior ao de obesos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, atualmente, ocorre a inversão desse quadro, um vez que a deficiência nutritiva de outrora está sendo substituída pelo excesso de peso da população e, por consequência, elevando os problemas de saúde dos acometidos. Dessa forma, essa problemática está pautada na união dos seguintes fatores: má alimentação e sedentarismo.
Primeiramente, é relevante abordar que os novos padrões sociais e o aumento do poder aquisitivo possibilitaram uma reformulação no cardápio das famílias, sendo privilegiados os alimentos rápidos, com alto teor de gorduras ruins e pouco nutritivos. Adaptando o conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, aparentemente o prazer imediato e o pouco cuidado com o futuro têm sido prioridade na vida do indivíduo, que, em todo o tempo, prefere o mais rápido. Nesse sentido, os fast-foods e os ultraprocessados, por oferecerem a refeição rápida, ganharam muito destaque, contudo, eles também impõem um consumo exagerado de calorias, causando danos a saúde dos consumidores.
Paralelamente, o ônus causado pela associação entre a inexistência de políticas públicas sobre educação alimentar e o sedentarismo deve ser mencionado, uma vez que potencializa o problema. Segundo dados do IBGE, cerca de 40% dos adultos são considerados sedentários. Nesse contexto, a educação alimentar se colocaria como alternativa, todavia, a omissão tanto do Estado como da família colocam ainda mais empecilhos na resolução dessa barreira. Sendo assim, a união de fatores diversos, abrem caminho para o surgimento de doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
Portanto, é imprescindível que medidas paliativas sejam tomadas a fim de mitigar essa problemática. Com essa perspectiva, o Ministério da Saúde junto com suas respectivas secretarias em estados e municípios, por meio de um direcionamento de verbas, devem investir na criação de um plano nacional de reeducação alimentar, além de acompanhamento especializado aos acometidos. Ademais, a mídia deve veicular anúncios sobre os benefícios de uma alimentação equilibrada e da prática de atividades físicas ao bem-estar do indivíduo. Assim, o senso crítico será criado na população e esse estorvilho poderá ser superado.