Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 27/12/2020
Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, em sua célebre obra “Brasil: Uma Biografia”, assinalam ao ledor os comportamentos da sociedade brasileira. Nesse sentido, segundo as autoras, “destaca-se a árdua e tortuosa construção da cidadania”. Nesse cenário, embora o Estado brasileiro possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se materializa, visto que a obesidade como problema de saúde pública é um componente de debate da sociedade brasileira. Nesse contexto, torna-se evidente que a lenta mudança na mentalidade social, bem como a negligência do governo, altera, de forma negativa, a construção cidadã.
Convém ressaltar, a princípio, que a lentidão na transformação do pensamento do indivíduo é parte do crescente número da obesidade no Brasil. Sob esse prisma, Francis Bacon afirma que o comportamento humano é contagioso e se reproduz. Nesse seguimento, é possível notar que novos padrões alimentares são epidêmicos. A exemplo que a cada cinco brasileiros, um está obeso, mais da metade da população está acima do peso, o país que até pouco tempo lutava para combater a fome e desnutrição agora precisa combater a obesidade, isso está diretamente relacionado com a cultura dos ultraprocessados, décadas passadas a dieta do brasileiro era baseada em arroz e feijão, hoje, em fast-foods. Com efeito, tal realidade não mudará enquanto a sociedade não enxergar o problema.
Por conseguinte, a morosidade do governo em assegurar políticas públicas que sustentem a cidadania dos sujeitos fomenta a perpetuação da obesidade. Nessa perspectiva, a Constituição de 1988 – documento mais importante do país – prevê, em seu art. 5º, a igualdade de direitos como inerente a todo cidadão brasileiro, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, é notório que políticas públicas de combate a obesidade é insuficiente/inexistente, visto que existe um crescimento da obesidade e nesse cenário é observado a inercia do governo que já fala em erradicar o Guia Alimentar para a População Brasileira. Diante disso, se a lei não for aplicada, esse cenário se perpetuará.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde - departamento do governo que concretiza as políticas públicas de saúde, por intermédio de articulações com o Congresso Nacional, promova a criação de uma Política Pública de Atenção Integral à Obesidade. Ademais, é necessário incentivar a promoção de palestras nas escolas, associações comunitárias, empresas etc. Nessa lógica, tais medidas têm por finalidade garantir o direito integral à saúde de milhares de pessoas. Consequentemente, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema no Brasil. Isto posto, a sociedade brasileira assegurará a sua condição cidadã, discutida por Lilia Schwarcz e Heloisa Starling.