Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 05/02/2021

A Constituição Brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o amplo acesso à saúde. Entretanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que os efeitos da obesidade na saúde pública do país fazem-se extremamente nocivos. Esse cenário nefasto ocorre não só por conta da crescente busca por alimentos mais rápidos e práticos, como também devido ao falho papel da mídia no incentivo à uma vida mais saudável. Logo, é necessária a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigar os impasses para a consolidação dos direitos constitucionais.

Em primeira análise, vale ressaltar que os alimentos naturais, como frutas e verduras, estão sendo cada vez mais substituídos por industrializados. Isso implica no maior consumo de sódio, açúcares e gorduras, grandes agentes da obesidade, além da menor presença de nutrientes e vitaminas fundamentais para o bom funcionamento do organismo. Sob essa ótica, a Terceira Revolução Industrial, no século XX intensificou a globalização, tornando a relação espaço-tempo cada vez menor e aplicando na realidade o dito popular ‘’tempo é dinheiro’’. Sendo assim, o homem contemporâneo coloca em segundo plano o preparo de uma nutritiva refeição e a prática de exercícios físicos pela demanda de tempo necessária, optando por ‘‘fast foods’’ e comidas industrializadas, caminhos práticos e rápidos.

Ademais, cabe destacar o poder de influência da mídia na vida da população. Diante disso, as inúmeras propagandas de alimentos não saudáveis e a ausência das mesmas para o incentivo à atividades físicas e acompanhamento da massa corporal dificultam a disseminação de informações à respeito da obesidade e dos riscos que que ela pode trazer à saúde do indivíduo. Nessa perspectiva, aproximadamente 60% da população adulta brasileira apresenta excesso de peso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dessa forma, grande parte da sociedade que é acometida pela obesidade não tem conhecimento dos problemas que essa pode causar -como hipertensão, diabetes e maiores riscos à doenças cardíacas- e do acompanhamento médico demandado.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Dessa maneira, cabe ao Ministério da saúde, a implantação de serviços clínicos e remédios gratuitos para pessoas com sobrepeso ou obesidade pelo Sistema Ùnico de Saúde, para que as cirurgias bariátricas (já disponibilizadas pelo SUS) sejam feitas apenas em último caso. Somado a isso, o Governo Federal deve, em parceria com a Mídia Nacional, promover propagandas em canais abertos de televisão sobre os riscos trazidos pela obesidade e formas de levar uma vida mais saudável, incentivando o exercício físico e o maior consumo de alimentos naturais. Somente assim, formar-se-á uma sociedade permeada pelos elementos elencados na Magna Carta.