Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 01/03/2021
A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura aos brasileiros e estrangeiros residentes no país garantias fundamentais, dentre elas o direito à saúde. No entanto, no que concerne à nutrição no Brasil, nota-se que as normas presentes na Carta Magna não são eficientes, visto que, o Ministério da Saúde afirma que 4 em cada 10 indivíduos estão acima do peso, o que ocasiona o desenvolvimento de diabetes e problemas cardíacos. Esse cenário ocorre devido à deficitária educação alimentar em conjunto com o sedentarismo decorrente da vida moderna. Logo, faz-se necessário analisar os efeitos da obesidade na saúde pública. Em primeira análise, é fato que a ausência educacional em prol de uma dieta saudável contribui para a existência da questão. Segundo Immanuel Kant, filósofo prussiano, o homem é resultado da educação que teve. Nesse viés, apesar de a escola lecionar disciplinas como Biologia e Educação Física - que visam ensinar o funcionamento do corpo - não orienta seus discentes a aplicar o aprendizado em seu cotidiano para contribuir com seu bem-estar. Dessa forma, a população desconhece os danos causados por uma alimentação precária e ingere refeições que favorecem o aumento de peso. De acordo com dados apresentados pelo jornal O Globo, em 2018 cresceu em 20% o número de cidadãos com aterosclerose – acúmulo de gordura nas artérias – em relação ao ano anterior. Assim, sem instrução, cria-se cada vez mais um país doente. Ademais, a escassez de atividades físicas corrobora para a permanência do problema. Conforme apresentado pela Organização Mundial de Saúde, com o advento da tecnologia, a sociedade adotou um estilo de vida estático, o que diminui o gasto de energia e intensifica a adiposidade. Acerca disso, é pertinente ressaltar que não é necessário sair de casa para obter qualquer produto, uma vez que por meio de aplicativos é possível pedir comida, pagar boletos e fazer compras, e até mesmo “praticar” esportes no meio virtual. Nessa perspectiva, o jornal Veja divulgou, em 2019, que 53% dos jovens preferem exercer atividades motoras de forma “online” do que realizar esforços. Por fim, há um desequilíbrio calórico e os indivíduos enfrentam uma má qualidade de vida por inatividade física. Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Com o intuito de mitigar a obesidade e seus efeitos, faz-se necessário que o Ministério da Educação insira, por meio de verbas governamentais, disciplinas de hábitos alimentares no ensino básico que instrua os alunos a calcularem a dieta certa, tendo como base sua rotina na prática de desportos, para que possam estabelecer um equilíbrio entre calorias ingeridas e gastas. Somente assim, os direitos previstos na Constituição Federal serão, de fato, assegurados.