Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 20/03/2021
No filme “Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador”, somos apresentados ao cotidiano de Gilbert, um jovem que apresenta diversos dilemas para sustentar a família após a mãe ser diagnosticada com obesidade mórbida. Mais de vinte anos após a estreia da obra, o excesso de peso continua sendo uma realidade no Brasil, sendo agravada por fatores como o sedentarismo e a intensa dependência da tecnologia. Como resultado, a saúde pública e o bem estar dos cidadãos tendem a ser comprometidos.
À priori, é possível constatarmos a relação da obesidade com o uso excessivo de aparatos tecnológicos. Celulares e computadores são só alguns entre os variados tipos de aparelhos os quais têm tornado os brasileiros mais sedentários e menos dispostos a queimar calorias, o que contribui para o ganho de peso desenfreado. Somando isso à crescente exposição de anúncios de aplicativos de “delivery” como o “Ifood” e “Uber Eats” - os quais, muitas vezes, sugerem o consumo de comida não saudável -, uma grande parcela da população acaba trilhando um caminho para o sobrepeso.
Consequentemente, os efeitos dessa doença na saúde pública serão cada vez mais latentes. O excesso de peso pode causar hipertensão e aumentar as chances de um indivíduo ter doenças cardíacas. Tais condições já são uma realidade para cerca de 20% da sociedade brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde, a qual vive em uma nação repleta de hospitais sucateados e com grandes filas de espera para cirurgias bariátricas. Além disso, a valorização a corpos magros, propagada pela mídia e grandes indústrias, corrobora para a diminuição da autoestima de pessoas com sobrepeso, fazendo-os recorrer a métodos de emagrecimento arriscados e ditos “imediatos”, vide a auto-medicação e procedimentos estéticos invasivos. Assim, a integridade de uma enorme fração de indivíduos é colocada em perigo.
Portanto, medidas tornam-se necessárias para combater esse impasse. O governo, visando a reduzir o sedentarismo, deve criar centros esportivos e academias públicas, com profissionais os quais auxiliem os cidadãos a se exercitar e se manter em um peso saudável. Órgãos como o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária podem, inclusive, criar mais legislações para regulamentar a propaganda de aplicativos de “delivery”, no intuito de estimular uma alimentação equilibrada. Ademais, por meio de técnicas de redistribuição de renda, o Estado necessita redirecionar mais investimentos ao SUS, melhorando as condições hospitalares e fornecendo mais estrutura para a realização de cirurgias bariátricas. Por fim, a mídia, utilizando campanhas publicitárias, pode promover uma maior valorização a corpos fora do padrão, promovendo o respeito à indivíduos com sobrepeso e os impedindo de buscar formas maléficas de emagrecimento. Com isso, os efeitos da obesidade na saúde pública reduzirão.