Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 28/03/2021

No filme “Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador”, somos apresentados ao cotidiano de Gilbert, um jovem que enfrenta diversos dilemas para sustentar a família após a mãe ser diagnosticada com obesidade mórbida. Quase trinta anos após a estreia da obra, o excesso de massa continua sendo uma realidade no Brasil, sendo agravada por fatores como a intensa dependência tecnológica e o descaso com o sistema de saúde pública. Como resultado, o bem-estar dos cidadãos é comprometido.

A priori, é possível constatar a relação da obesidade com o uso excessivo de aparatos tecnológicos. Celulares, computadores e video-games são só alguns entre os variados tipos de aparelhos os quais têm tornado os brasileiros mais sedentários. Dessa maneira, cenários recorrentes até algumas décadas, como, por exemplo, ruas repletas de crianças brincando e praticando esportes, vêm perdendo espaço frente ao avanço de jogos eletrônicos, os quais consistem em manter indivíduos parados em frente a uma tela. Por estar perdendo o hábito de queimar calorias na realização de atividades, uma grande parcela da população, por conseguinte, trilha um caminho para o ganho de massa desenfreada.

Consequentemente, os efeitos dessa doença na saúde pública tornam-se mais latentes. O excesso de peso pode causar hipertensão e doenças cardíacas. Segundo o Ministério da Saúde, tais condições já são uma realidade para 20% da sociedade brasileira, a qual se encaixa no quadro de obesidade. Tendo em vista que a nação encontra-se com muitos hospitais públicos sucateados - resultantes da má gestão de renda pelo governo - e com longas filas de espera para cirurgias bariátricas, o tratamento adequado a esse distúrbio é feito apenas por uma minoria dotada de poder aquisitivo suficiente para arcar com serviços privados. Assim, evidenciamos a ineficiência da “Pátria Amada” de zelar pela integridade de seus habitantes de forma igualitária.

Portanto, medidas tornam-se necessárias para resolver esse impasse. Visando a reduzir o sedentarismo, ONG’s podem expandir suas áreas de atuação no território nacional, criando complexos esportivos comunitários. Suas atividades podem incluir uma aliança entre a tecnologia e exercícios, promovendo a utilização de jogos os quais induzam à queima de calorias, vide o “Just Dance”, estimulando cidadãos a se manterem em uma massa saudável, de maneira lúdica. Ademais, o governo, utilizando-se da taxação de grandes fortunas sobre os 10% dos mais ricos do país, detentores de cerca de 40% da receita brasileira -  de acordo com dados da ONU -  deve redistribuir a renda de modo a melhorar a saúde. Para isso, o Estado necessita criar hospitais especializados no tratamento do sobrepeso e fornecer mais estrutura à realização de cirurgias bariátricas ao SUS. Com isso, os efeitos da obesidade na saúde pública serão reduzidos.