Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 13/06/2021

Na Antiguidade Clássica, a Índia era pioneira na produção da cana, da qual era extraída um dos mais cobiçados produtos do mundo: o açúcar. Entretanto, o consumo excessivo desse insumo tornou-se grave problema de saúde pública ao levar a população à obesidade. Com efeito, hão de se investigar os pormenores desse fenômeno na contemporaneidade: a estipulação de um hábito alimentar e as doenças físicas relacionadas a sua ingestão exagerada.

Em primeiro plano, a imposição cultural motiva a utilização em excesso do açúcar. Nesse viés, a economia brasileira dos séculos XVI e XVII era fortemente baseada na produção agroindustrial da cana, o que acarretou forte estímulo do uso do “ouro branco” na base alimentar da população. No entanto, apesar de ter havido imensos benefícios para a economia do país à época, a ingestão demasiada imposta desse produto se propagou de geração em geração, causando sérios danos à saúde dos indivíduos e, consequentemente, onerado o atual Sistema Único de Saúde. Sob essa ótica, embora a sociedade tenha galgado enormes avanços sociais e tecnológicos ao longo dos anos, é contraditório que ela ainda permaneça refém de um degradante comportamento culturalmente imposto há 500 anos.

Outrossim, o consumo excessivo de açúcar é nocivo à saúde. A esse respeito, quando há elevados níveis de glicose no organismo, o fígado converte o excedente em gordura, o que acarreta sobrepeso ou obesidade, responsáveis pelo desenvolvimento de debilitantes – e até letais – doenças cardiovasculares. Sob essa perspectiva, percebe-se que a população se mostra indiferente aos prejuízos que a abundante gordura corporal pode provocar em sua própria estrutura, agindo de forma irresponsável ao preferir seguir com hábitos nutricionais maléficos, em detrimento à saúde, à vida e ao bem-estar. Assim, enquanto o uso exacerbado de sacarose se mantiver, o país será obrigado a conviver com um dos mais preocupantes obstáculos à saúde pública: a obesidade

A ingestão abundante de sacarose é, portanto, uma questão que precisa ser mitigada no Brasil. Nesse sentido, as escolas – responsáveis pela transformação social –, em parceria com o Ministério da Saúde, devem desestimular a cultura do açúcar, por meio de projetos pedagógicos, como ações comunitárias – lideradas por professores, pedagogos e nutricionistas – capazes de conscientizar alunos e seus familiares sobre a necessidade de uma mudança de mentalidade que transforme seus hábitos alimentares positivamente. Essa iniciativa poderia se chamar “Doce Saúde” e teria por finalidade prevenir doenças provenientes do consumo desmensurado do açúcar e, em última instância, reduzir gastos públicos com doenças relacionadas à obesidade. Dessa forma, a nação verde-amarela poderá experimentar uma sociedade saudável, livre do sobrepeso e da obesidade.