Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 05/10/2021
Segundo Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, a transformação do “status quo”, ou seja, do estado das coisas, é uma missão árdua. Nessa perspectiva, pode-se traçar um paralelo com a realidade brasileira, na qual se observam entraves para a mudança do número crescente de obesos no país. Tal conjuntura é reflexo de atitudes imediatistas e de lacunas na base educacional, e pode representar graves efeitos à saúde pública do Brasil. Diante desse cenário, é conveniente a averiguação de tal problemática.
Em primeira análise, é necessário evidenciar o imediatismo como um dos motivadores do índice crescente de obesidade na população brasileira. Sobre isso, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, pontua que a fluidez da sociedade contemporânea gera uma cultura imediatista, na qual não há planejamento a longo prazo. Tal quadro pode ser percebido na incorporação de dietas desbalanceadas, por parte do tecido social brasileiro, na qual há o consumo exacerbado de ultraprocessados, tanto pelo prazer momentâneo quanto pela praticidade, sem que haja preocupação das consequências dessa atitude no futuro. Isso promove maior número de indivíduos obesos que podem desenvolver doenças associadas ao excesso de peso, como cardiopatias e diabetes, e, assim, aumentar os custos da saúde pública no país.
Em segunda análise, é importante salientar, também, falhas na educação vigente como um dos fatores precursores da problemática no Brasil. Sob esse viés, Paulo Freire, educador brasileiro, pontua que o sistema de educação nacional não estimula o pensamento indagador. Nesse contexto, as escolas, ao priorizarem o ensino tecnicista, não desenvolvem a criticidade e a autonomia do indivíduo, o que impede a conscientização desse sobre a necessidade de uma vida ativa para a preservação da saúde. Tal conjuntura resulta na formação de adultos sedentários, que podem desenvolver um quadro de obesidade, e terem sua resistência fisica limitada, o que os priva de uma qualidade de vida mais elevada. Assim, urge transformações na base ensino para que tal adversidade seja superada.
Portanto, é indubitável intervir sobre tal cenário. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, enquanto responsável pela promoção da saúde da população do país, disponibilizar, mediante mídias de grande alcance, conteúdos informativos acerca das causas e consequências da obesidade. Isso dever ser feito com o propósito de conscientizar o maior número de indivíduos sobre a problemática, e estimular a sociedade a alimentar-se melhor e exercitar-se mais. A partir dessas ações, será possível melhorar a atual realidade brasileira.