Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 06/11/2021

Segundo o Artigo 196 da Constituição Federal Brasileira (CF), de 1988, todos os cidadãos possuem o direito à saúde e cabe ao Estado garanti-la. Entretanto, o que se observa é o desrespeito a tal preceito do documento, uma vez que a obesidade é uma questão de saúde pública que assola a vida de milhares de brasileiros. Nesse sentido, os interesses capitalistas da indústria alimentar, somado ao estilo de vida contemporâneo, são fatores que reforçam essa problemática.

Sob essa perspectiva, convém ressaltar que a perversidade do sistema capitalista estimula o desenvolvimento da obesidade na população. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os países que mais comercializam alimentos processados são também os que possuem os maiores gastos orçamentários com o tratamento de doenças desencadeadas pela obesidade. Nesse contexto, é perceptível que o alto investimento em propagandas induz o consumo desses alimentos, o que, além de desencadear riscos nocivos à saúde, pode onerar o sistema público para demais tratamentos. Dessa forma, verifica-se que, mesmo após avanços na conquista dos direitos sociais, infelizmente, ainda há uma violação do direito à saúde, uma vez que inúmeros cidadãos sofrem com os efeitos diretos e indiretos da obesidade no país.

Evidencia-se, além disso, a influência do estilo de vida contemporâneo na questão da saúde pública. Consoante ao sociólogo Byung Chul-Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, vive-se hoje uma sociedade marcada pelo produtivismo que coloca o trabalho acima da saúde do indivíduo. Nessa lógica, as longas e exaustivas jornadas de trabalho favorecem as escolhas por alimentos de rápido preparo, tais como “fast-foods”, o que propicia o aumento dos índices de obesidade, haja vista seu baixo valor nutritivo e alto teor calórico. Desse modo, é inadmissível a permanência dessa lógica, enquanto a moeda de troca for a saúde do cidadão.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham a reduzir os efeitos da obesidade na saúde pública. Cabe, para tanto, que o Ministério da Educação (MEC) se responsabilize pela inclusão da educação alimentar nas escolas. Isso pode ser feito por meio da implementação de aulas de nutrição básica nas instituições de ensino, a fim de atenuar os índices de obesidade no País. Tal medida poderá contar com debates e reflexões sobre os impactos negativos à saúde ao se colocar os interesses financeiros em primeiro plano. Desta maneira, espera-se garantir o direito à saúde em sua integralidade, conforme assegurado pela CF.