Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 19/11/2021

Fernando Botero, exímio artista colombiano, transborda, por meio de suas obras, a representação de diversos contextos sociais maneados por personagens obesos. Ao se transgredir a arte, é plausível a discussão dos efeitos da nediez na saúde pública e a análise da subserviência de uma rotina regrada e ínfima educação alimentar como causas da manutenção da subqualificação de vida dos brasileiros.

Em primeira análise, observa-se que, com o advento da revolução industrial, o trabalho e demais afazeres cotidianos passaram a limitar, na maioria das situações, a qualidade nutricional dos indivíduos, uma vez que a alimentação começou a ser subjugada em detrimento das responsabilidades trabalhistas. Tal cenário, como teorizou o filósofo Bauman, é resultado das projeções de uma sociedade contemporânea líquida na qual os indivíduos, manipulados pela ascensão tecnológica, têm sua percepção de tempo reduzida. Dessa forma, a ideia de falta de tempo decorrente de rotinas regradas, atrelada à ausência de planejamento cotidiano, influencia a busca por alimentos mais rápidos, práticos e de baixo valor nutricional, resultando em uma sociedade com elevados índices de obesidade.

Ademais, a carência de uma educação alimentar no Brasil traduz um levantamento feito pelo Ministério da Saúde em que uma em cada cinco pessoas no País está acima do peso. Tal cenário reflete o precário acesso ao conhecimento nutricional adequado de grande parte da população brasileira e, uma vez que a baixa educação influencia diretamente o descabido comportamento social alimentar, os casos de obesidade são agravados. Adjunto a isso, a manutenção de práticas que levam ao aumento de nediez fere, por submeter a população a uma subqualificação de vida advinda do precário ensino nutricional ofertado aos cidadãos, a Constituição Brasileira de 1988 ao subjugar os direitos à educação e à saúde de qualidade.

Em síntese, a obesidade como questão de saúde pública no Brasil exige ágil resolução. Concerne, pois, ao Estado, principal responsável pela garantia do bem-estar social, por meio dos Ministérios da Saúde e da Educação e junto a escolas e mídia, a elaboração de um plano intersetorial responsável por educar nutricionalmente os brasileiros com o fito de reduzir os índices de obesidade no País e sofisticar a preferência por alimentos nutricionalmente mais adequados. Para isso, são resolutivos debates, “workshops”, palestras, mesas redondas, rodas de conversas e campanhas publicitárias que incitem a busca por um consumo alimentar mais saudável para que a nediez se faça presente apenas na arte, como nas obras de Fernando Botero.