Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 16/11/2021
A Constituição Federal de 1988 assegura aos cidadãos o direito à saúde e ao bem-estar social. Contudo, a obesidade é uma patologia recorrente no Brasil, que provoca impactos à saúde individual e coletiva, visto que o advento das novas tecnologias e a omissão estatal corroboram com esse cenário. Desse modo, torna-se necessário a implementação de medidas para a mitigação da problemática.
Sob esse viés, cabe analisar, a princípio, o papel da ascensão dos recursos digitais no desenvolvimento da obesidade. Nessa perspectiva, com a alta dos meios de telecomunicação, na Terceira Revolução Industrial, os campos e as relações sociais foram alteradas, por meio da praticidade que essa modalidade proporciona e do desenvolvimento de conexões problemáticas nas redes de compartilhamento, respectivamente. Dessa maneira, essa facilidade de realizar atividades diárias por meio de recursos tecnológicos diminui, de maneira geral, o número de exercícios físicos praticados, e o ambiente competitivo formado nos aplicativos populares tem contribuído com o desenvolvimento de doenças psicológicas que podem acarretar no aumento do consumo de calorias. A recorrência desse distúrbio corpóreo causa a sobrecarga do sistema público de saúde. Assim, constata-se a contribuição dos instrumentos eletrônicos na perpetuação desse quadro deletério.
Ademais, a ausência de estímulo estatal também colabora com essa conjuntura. Nesse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi”, em que algumas organizações perderam sua função social, mas mantiveram a sua forma. Em virtude disso, a ineficiência governamental, no que compreende-se políticas de investimento em medidas que busquem o dia a dia ativo da população, como locais e profissionais disponíveis de maneira gratuita, insere o Estado brasileiro na ideia formulada por Bauman. Essa atitude também ocasiona a incidência do excesso de peso e doenças subsequentes à esse quadro, como pressão alta e diabetes, o que, novamente, resulta em uma demanda exacerbada do atendimento público.
Destarte, ações são necessárias para que o direito prescrito na magna carta seja desfrutado na prática. Logo, compete ao Governo Federal, mediante parceria com o Ministério da Saúde, promover um projeto que desenvolva atividades físicas nos espaços coletivos brasileiros. Em que, serão praticados exercícios aeróbicos diários nas praças da cidade, de maneira totalmente gratuita, como aulas de dança e treinos funcionais ministrados por profissionais capacitados. Desse modo, a obesidade e seus impactos negativos serão superados.