Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 11/10/2017

De acordo com Platão, filósofo da Grécia Antiga, o primordial não é apenas viver, mas, sim, viver bem.

De fato, em um contexto pós-moderno, e uma realidade recheada de problemas ter uma boa qualidade de vida está, sem dúvida, cada vez mais difícil. Nessa perspectiva, a obesidade, infelizmente, fragiliza e prejudica o baluarte do bem-estar social: a saúde. Assim, convém analisar as vertentes que englobam os maus hábitos alimentares no Brasil.

Claramente, é perceptível o comportamento inadequado da população relativo às práticas saudáveis. Vítima da aceleração do mundo moderno, a alimentação tem se resumido a produtos industrializados e aos famosos fast-foods, dotados de baixo valor nutricional e com preços acessíveis. Adaptando a ideia de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, parece que, hoje, o prazer imediato e o pouco cuidado com o futuro, típicos de uma cultura hedonista, têm sido prioridade na vida do indivíduo brasileiro, que, em todo o tempo, prefere o mais rápido e deixa de lado o que pode, de fato, alimentá-lo. Tais costumes estão acarretando no ganho excessivo de peso e, no Brasil, o sobrepeso já atinge metade da população segundo o  Ministério da Saúde.

É fundamental pontuar, ainda, que muitas empresas do setor alimentício, motivados pela obtenção de lucros e incentivados pela fiscalização precária realizada pelos órgãos governamentais, acabam por contribuir para a propagação da alimentação inadequada. Destarte, a presença de rótulos incompletos ou “mini rótulos” e o uso indiscriminado de ingredientes que, em excesso, são nocivos à saúde humana, como o sódio e o açúcar, são provas disso. Dessa forma, fica evidente o descaso para com o consumidor.

Logo, diretrizes são necessárias para reverter esse impasse. Portanto, em um contexto de reeducação alimentar a escola deve criar projetos de orientação nutricional a fim de que desde a infância os cidadãos aprendam a importância de uma vida saudável. O Estado, por sua vez, deve aprofundar esforços para fiscalizar e aplicar punições legais mais rígidas às indústrias que infringirem as normas da Anvisa aliado a um maior investimento no triângulo base do tratamento da obesidade: atividade física, acompanhamento nutricional e psicológico. Só assim, tratando causas e minimizando efeitos, será possível enxergar a alimentação, de fato, como um ingrediente nas transformações de que a liquidez atual precisa.