Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 12/10/2017
Ao passo que o mundo, desde a Terceira Revolução Industrial, está inserido no meio Técnico-científico-informacional, a tecnologia vem trazendo para a humanidade cada vez mais facilidades, que claramente são benéficas em diversas áreas. Todavia, tais comodidades proporcionadas pelo avanço tecnológico são um prato cheio para o sedentarismo, que por sua vez, está diretamente relacionado à obesidade. Tal transtorno alimentar, por outro lado, torna a sociedade menos produtiva, eleva os gastos públicos com as doenças relacionadas a ele e precisa indubitavelmente ser compreendido e controlado.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a falta de tempo no cotidiano das pessoas é um grande fator para a falta de alimentação adequada. Moradores de grandes metrópoles, por exemplo, que passam grande parte do dia em ônibus e metrôs, não têm condições de se locomover até suas residências ou usufruir de restaurantes finos durante o dia, e isso fica evidente ao observar a grande quantidade de fast-foods, com preços relativamente acessíveis próximos a grandes centros, e a opção por alimentos instantâneos, congelados e ultra-processados, o que tem como resultado pessoas com a saúde debilitada de forma cada vez mais precoce. Esse cenário contemporâneo da rotina urbana, pode ser associado ao conceito de modernidade líquida do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, onde o tempo é estreito e a preocupação com coisas realmente importantes, como a própria saúde, ficam de lado em função de uma vida onde tudo precisa ser veloz.
É notável, outrossim, que a obesidade é um problema de saúde pública, e que sendo assim, carece de atenção por parte do governo. O SUS, por exemplo, oferece a cirurgia bariátrica, no entanto não oferece seu pós operatório. Além disso, a grande demanda por remédios relacionados à hipertensão, diabetes, descontrole de colesterol e glicemia, estão ligados à falta d educação alimentar, tornando a falta de investimento na prevenção uma grande dor de barriga, se comparada aos gastos públicos com medicamentos.
Em suma, o crescente problema do excesso de gordura e as suas consequências tem se tornado cada vez mais evidente. Portanto, medidas como a Década de Ação das Nações Unidas para a nutrição, tomada pela ONU em conjunto com vários países, onde o Brasil tem como uma de suas metas reduzir a obesidade até 2019, precisam ser incentivadas e fato atingir a eficácia. Sendo assim, promover, por meio do Ministério da Saúde em conjunto com o MEC programas de educação alimentar nas escolas e regulamentação rigorosa de cantinas, é um caminho para alcançar tal objetivo. Outra opção, também, é por intermédio do MTE tornar obrigatório que empresas ofereçam regularmente consultas e orientação em relação à saúde aos seus funcionários, tornando-os assim mais produtivos.