Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 16/10/2017

De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, vivemos em tempos líquidos, em que nada é para durar. Essa liquidez manifesta-se em diversos âmbitos, com destaque para a alimentação irregular e, consequentemente, ao peso excessivo. Nesse sentido, a obesidade é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento, evidenciando um grave problema de saúde pública. Com isso, surge a problemática dos efeitos da obesidade que persistem intrinsecamente ligados à realidade do país, seja pela ausência de uma cultura de educação alimentar, seja pela insuficiência de leis que regulem a circulação de produtos prejudiciais à saúde no país.

É importante analisar, antes de tudo, aspectos que conduziram a sociedade à cultura dos industrializados. A revolução industrial, o avanço tecnológico e a necessidade de otimização do tempo fizeram com que os indivíduos buscassem uma nutrição mais rápida, resumida a produtos industrializados e fast-foods, o que revela o pouco cuidado com a saúde que o brasileiro vem adotando. Esse consumo resulta em consequências drásticas oriundas de um quadro de obesidade, tais como hipertensão, diabetes, podendo, inclusive, acarretar a morte do indivíduo. Prova disso é que, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, cerca de 51% da população brasileira está acima do peso, evidenciando a urgência na reeducação alimentar dos cidadãos, voltada para a priorização da saúde em detrimento ao prazer momentâneo.

Ademais, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. A insuficiência de leis acerca da limitação do comércio de ultraprocessados ainda é um grande empecilho para o combate à obesidade no panorama nacional. Exemplo disso é que, segundo um estudo realizado pela EAE Business School, o Brasil é um dos países que mais gasta em fast-food. Esse fato demonstra a necessidade de intervenção estatal no que diz respeito à comercialização de produtos alimentícios. Diante disso, pode-se inferir que somente haverá efetiva mudança nesse cenário mediante a existência de políticas públicas que façam da alimentação um alicerce para a saúde.

Torna-se evidente, portanto, a existência de uma refeição nada regular e a necessidade de se tratar tal dificuldade. Em um contexto de reeducação alimentar, a escola tem um papel fundamental, com palestras de nutricionistas e aulas de gastronomia, a fim de começar a tratar o problema desde a base, com conscientização. Cabe à mídia veicular, em parceria com o Ministério da Saúde, campanhas para estimular a alimentação saudável. Além disso, deve-se investir na maior fiscalização dos produtos, a fim de regulamentar as informações e a visibilidade de embalagens. Só assim, será possível enxergar a alimentação, de fato, como um ingrediente nas transformações de que a liquidez atual precisa.