Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 26/10/2017
Sonho ufanista
Na obra pré-modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, é provável que o major Quaresma desejasse pôr fim à obesidade no país, situação lamentável e que acarreta em mais gastos com saúde e aumento nos casos de depressão. Esse cenário perdura, principalmente, pela inobservancia estatal somada à influência da mídia.
Em primeiro lugar, é notório que o a negligência do governo está na origem do problema. De acordo com o economista inglês John Maynard Keynes, é dever do Estado suprir as necessidades básicas de seus cidadãos e assegurar-lhes o bem-estar. Contudo, o poder público tem subestimado à importância do combate à obesidade para a manutenção da qualidade de vida da população. Tal postura é inadequada, dado que excesso de peso incrementa a incidência de uma série de enfermidades a serem tratadas no Sistema Único de Saúde (SUS), tais como colesterol alto, hipertensão e acidentes cardiovasculares.
Além disso, a atuação negativa dos meios de comunicação intensifica esse fenômeno. De acordo com o filósofo alemão Max Horkheimer, a midia detém o poder de manipular os hábitos de consumo e os valores morais de uma população. Nesse sentido, pode-se observar que propagandas de alimentos industrializados com alto teor de sódio e gorduras hidrogenadas – veiculadas em revistas, rádios e sobretudo nos canais de televisão – têm influenciado a rotina alimentar dos brasileiros. Por conseguinte, não é razoável permitir que tamanha persuasão midiática exista em uma sociedade democrática.
Denota-se, portanto, que combater a obesidade constitui um sério desafio para a nação. Às igrejas e sindicatos, importantes aglutinadores sociais, compete exigir do Estado por meio de protestos e abaixo-assinados que o Ministério da Saúde organize palestras com o tema “esportes contra o sobrepeso”, objetivando informar a população sobre a importância da atividade física para a saúde. Paralelamente, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), deverá zelar pelo conteúdo veiculado na mídia mediante suspensão de propagandas que possuam quantidade de sódio e gorduras acima do recomendado, com o intuito de redefinir os hábitos alimentares dos brasileiros. Assim, com Estado e sociedade civil unindo forças em prol de um país mais justo e humano, o sonho ufanista do major Quaresma estará mais próximo de tornar-se realidade.