Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 01/11/2017
A obesidade foi considerada sinal de riqueza e prosperidade entre as elites europeias na Idade Média e Renascimento. Contudo, a evolução da Ciência e da Medicina trouxe um novo entendimento, que relaciona o excesso de gordura a doenças crônicas e caracteriza-o como grave problema de saúde pública. Apesar disso, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, observa-se um crescimento no número de pessoas com sobrepeso e obesidade no Brasil, concatenado a fatores como alimentação e sedentarismo, o que implica em medidas necessárias a essa epidemia social.
Em uma primeira análise, admite-se um aumento de hábitos alimentares negativos pela população, como o consumo de refeições prontas congeladas e enlatadas, caracterizando uma dieta rica em sódio, açúcares e conservantes, aliado a um comportamento sedentário, incentivado pelas descobertas da tecnologia, causando prejuízos sérios a saúde. Sob esta perspectiva, são verificadas, em indivíduos obesos, doenças como Diabetes Mellitus tipo 2, alterações cardiovasculares, como aterosclerose, além de AVC, entre outros. Diante disso, evidencia-se o que Hipócrates, filósofo e médico grego, já havia observado na Grécia antiga: “A corpulência não é só uma doença, como o prenúncio de outras”.
Cabe a ainda pontuar que, conforme Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, o homem é algo a ser superado e, sob esta ótica, pode-se afirmar que, em muitos casos, o combate a obesidade depende apenas do indivíduo e da mudança de seus hábitos, o que pode ser verificado em portadores de gordura nas paredes dos vasos coronários - aterosclerose, decorrente da obesidade, que prejudica a irrigação sanguínea do coração. Os referidos indivíduos, ao retomarem a prática de atividades físicas aeróbicas, fortalecem musculatura do coração, provocando a formação de novos vasos sanguíneos, que passam a irrigar as partes antes comprometidas pela doença supracitada.
Destarte, considerando que a saúde é direito de todos e dever do Estado, conforme a Carta Magna de 1988, uma ação conjunta do Governo e da sociedade faz-se necessária no combate a obesidade no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria promover campanhas, por meio de informativos e palestras, em escolas e setores da saúde, sobre importância da alimentação saudável a atividade física, bem como as consequências da obesidade, a fim alertar a população brasileira. Além disso, em parceria com o Poder Público Municipal, reestruturar as academias de saúde nos bairros, além de intensificar as atividades destinadas ao público infantil e idoso, a fim de que todos tenham acesso a saúde e qualidade de vida. Mediante tais medidas, será possível diminuir os casos de obesidade e afastar as doenças consequentes, atentando para a sabedoria de Hipócrates de tantos séculos passados.