Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 23/10/2017

A máxima platônica “corpo são, mente sã” remete à assertiva de que deve existir um equilíbrio entre essas partes para um saudável funcionamento do organismo humano. Entretanto, percebe-se que, no mundo contemporâneo, tanto a questão psíquica quanto a preocupação com a condição física são ignoradas. Isso ocasiona a problemática da obesidade, a qual é multifacetada, pois aborda questões de saúde pública, de infraestrutura urbana e de educação física e alimentar. Diante disso, torna-se imprescindível analisar os motivos da obesidade, bem como avaliar os seus impactos no corpo social.

Em face dessa ideia, é essencial pontuar, em um primeiro olhar, que a pós-modernidade possui características que acarretam esse quadro. Nesse viés, vale ressaltar a perspectiva do sociólogo Zygmunt Bauman, para o qual a sociedade vive a Modernidade Líquida, a era da aceleração, marcada pelo dinamismo das relações sociais. Dessa forma, pode-se afirmar que os hábitos humanos foram transformados nesse contexto e que passaram a se pautar no consumo de alimentos industrializados de rápido preparo, de alto valor energético e de rotulagem de difícil compreensão pelos consumidores. Essa tendência é corroborada pelo forte investimento publicitário realizado pela indústria alimentícia, inclusive para o público infantil, afetando a educação alimentar das futuras gerações.

Outro fator, que também pode ser considerado, são os efeitos dessa realidade. Nesse sentido, vale destacar a sobrecarga nos serviços de saúde pública e a acessibilidade reduzida para essa parcela da população. Isso porque ela enfrenta dificuldades nos centros urbanos referentes ao transporte, ao acesso aos espaços e à ausência de ambientes públicos destinados à atividade física, haja vista que a maioria deles não são construídos pensando nesse público. Ademais, é indubitável que os obesos sofrem discriminação por parte da sociedade, na forma de, conforme o sociólogo Émile Durheim, sanção espontânea, isto é, julgamentos por parte da população acerca da aparência física, já que existe um padrão de beleza criado pela consciência coletiva.

O desafio que se constrói, portanto, a partir da realidade exposta, é a adoção de medidas que mitiguem a obesidade na população. Para isso, é indispensável a atuação conjunta entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação no trabalho de reeducação alimentar, sobretudo das crianças, por intermédio da inserção no currículo escolar de conteúdos com foco nessa questão, assim como a padronização da alimentação nas cantinas escolares com o acompanhamento de profissionais nutricionistas. Além disso, é preciso que o Poder Legislativo crie leis que obriguem a indústria alimentícia a elaborar rótulos dos alimentos com uma linguagem de fácil compreensão, a fim de que o consumidor tenha ciência da composição dos produtos e possa equilibrar a sua alimentação.