Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 17/10/2017

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura a todos o direito à saúde. No entanto, os altos índices de obesidade na população prejudicam a plenitude desse direito na atualidade, constituindo grave problema social. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste pela cultura da má alimentação e pela padronização do consumo, o que deve ser modificado.

Primeiramente, cabe pontuar que o acesso a alimentos saudáveis é dificultado pelo modelo brasileiro de produção. A Revolução Verde, ocorrida na década de 70, vendeu a ideia de aumento na produção de alimentos para a população mundial. Porém, no Brasil, esta se faz sentir na produção mecanizada de monoculturas de grãos para exportação, sendo esse modelo a base da cadeia produtiva brasileira. Por conseguinte, a população encontra facilidade na obtenção de produtos industrializados e à base de proteínas baratas advindos das matérias primas abundantes no país. Enquanto isso, a falta de incentivo fiscal a produtores de frutas, verduras e hortaliças no território brasileiro é escassa. Dessa forma, mesmo que inconscientemente, a população desenvolve hábitos alimentares ruins que levam à obesidade.

Outrossim, a difusão dos meios de comunicação, propiciada pela globalização, fez destes uma imponente arma do capitalismo para a massificação do consumo. Utilizando do poder das imagens em movimento, as grandes marcas de “fast-foods”, refrigerantes e industrializados em geral, criam a necessidade de consumo por meio da linguagem da sedução. Tal estratégia é assimilada pelos indivíduos e, associada aos fatores supracitados de disponibilidade e custo, criam um consumismo altamente maléfico para a saúde.

Infere-se, portanto, que ações para a mudança da cultura alimentar brasileira se fazem necessárias para solucionar o problema da obesidade. Para isso, o Governo Federal deve oferecer subsídios aos pequenos e médios olericultores e fruticultores com a finalidade aumentar a produção e facilitar, com isso, a aquisição desses alimentos pela população. Ademais, as ONGs em parceria com nutricionistas devem incentivar, nas redes sociais, o debate na sociedade civil a respeito dos malefícios que a indústria midiática causa ao disseminar a padronização do consumo, com o fito de desconstruir a passividade coletiva à adesão deste e desenvolver a preocupação com a saúde. Assim, ao diminuir a alimentação nociva, o país caminhará rumo à resolução efetiva da problemática da obesidade.