Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 19/10/2017
Hambúrguer, batata frita, pizza, cachorro-quente. Alimentos que são considerados lanches, devido ao imediatismo característico da sociedade contemporânea, em que as pessoas não possuem mais tempo para sentar-se nas mesas para comer, acabam tornando-se refeições completas e diárias na vida de inúmeros brasileiros, contribuindo diretamente para um dos maiores problemas do século XXI: a obesidade. Essa constatação exige uma reflexão sobre os principais aspectos que causam esse verdadeiro transtorno na vida de milhares de cidadãos.
Em primeira instância, deve-se observar um fenômeno que agrava drasticamente o problema da obesidade no país: a alimentação como compensação emocional. O sociólogo Zygmunt Bauman explica, em sua “modernidade líquida”, como as relações na sociedade pós-moderna tornaram-se efêmeras, em que não são feitas para durar. Essa fragilidade presente nas relações, aliada ao imediatismo, acaba deixando um vazio emocional na vida de inúmeras pessoas, dando início a uma busca pelo prazer instantâneo para compensar tal perda, muitas vezes encontrado nos alimentos das redes de “fast food” que crescem exponencialmente pelo país. Infelizmente, esse fato acaba promovendo os casos dessa enfermidade no país.
Outro ponto a ser discutido é como o padrão de beleza imposto pela sociedade influencia os casos de obesidade no país. “Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos”. A assertiva de Santo Agostinho parecia não prever uma triste realidade que se perpetua no Brasil: o preconceito. Academias, transporte público, entrevistas de emprego. São inúmeros os locais em que os obesos, apenas por não possuírem um padrão de beleza tido como ideal, sofrem constantes situações de aviltamento, gerando outro gravíssimo problema de saúde pública que gera a obesidade: o sedentarismo. Devido o medo de sofrerem algum tipo de discriminação, inúmeras pessoas vítimas do sobrepeso optam por viverem isoladas em suas casas, possuindo inúmeros direitos negados.
Portanto, fica clara a necessidade de uma intervenção na questão da obesidade no país. Por isso, cabe ao Ministério da Saúde, através de parcerias com centros esportivos, proporcionar locais gratuitos que promovam a prática de atividades físicas, estimulando a liberação de endorfina, responsável pela sensação de prazer, visando retirar do imaginário popular a ligação entre comida e prazer, simultaneamente, promovendo ações que proporcionem a perda de peso. Além disso, compete à mídia, por meio da criação de atrações de culinárias, ensinar para a população receitas rápidas e saudáveis, objetivando diminuir o consumo desenfreado nas redes de “fast food”, acarretando uma diminuição no nível de obesidade no Brasil, fator primordial para a construção de uma sociedade mais saudável.