Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 19/10/2017

O século XIX foi marcado pela figura de mulheres gordas - os famosos quadros de Rubens, como o das “Três Graças”, ilustram essa tendência de associar a beleza física ao corpo avantajado na Antiguidade. Obstante de um símbolo de fartura e fertilidade, hoje, o aumento de 60% no índice de obesidade(fonte Vigitel) chama atenção para um país acomodado nos maus hábitos de vida. Ora, reverter esse panorama é substancial.

Vale ressaltar, a priori, os fatores que acarretaram nesse aumento da obesidade. Em um cenário de má alimentação, os discursos midiáticos são fortes aliados da indústria alimentícia -“fast foods” e produtos instantâneos- e através de um bombardeio de imagens, associam a comida à obtenção de prazer. Assim, nessa sociedade hedonista, essas “bombas” surgem como válvula de escape e mecanismo de compensação aos problemas cotidianos. Além disso, a correria do dia a dia aliada aos avanços tecnológicos trouxeram um comodismo digital enorme, afinal, apertando apenas alguns botões, aplicativos de “delyvers” permitem o acesso ao alimento sem precisar se locomover.

Como substrato desses desmazelos, o excesso de peso abre espaço para diversas enfermidades. Quer dizer, a obesidade é mais que um problema cosmético, e o Ministério da Saúde gasta 147 milhões com o tratamento de doenças oriundas da adipose, como a hipertensão, diabetes e câncer. Além disso, as consequências se estendem ao campo psicológico, uma vez que os indivíduos fora do padrão de beleza de peso viram alvos de olhares de repulsa, o que futuramente se agrava à um quadro de depressão.

Fica evidente, portanto, que a obesidade é um problema de cunho de saúde pública e deve ser combatida. Para tal, recai na postura do Ministério da Saúde implantar nos postos do país medidas de prevenção a esse mal, através de tabelas nutricionais e de dicas de exercícios físicos, a fim de mitigar a manifestação da doença. Outrossim, cabe as Instituições de ensino, sobretudo escolas primárias, promover uma mudança no cardápio escolar, aderindo alimentos mais saudáveis, para que os menores aprendam hábitos de alimentação desde a mais tenra idade. Uma segunda atuação dessas entidades incide no acompanhamento psicológico para crianças obesas, visando previnir qualquer trauma causado por bullying. Ademais, é fundamental a participação do discurso midiático no incentivo à prática esportiva e comidas de menor caloria, por intermédio de propagandas, a fim de que estas sejam medidas constantes.