Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 24/10/2017
Se as dobrinhas de gordura e o excesso de fofura em crianças eram sinais de beleza e saúde há algumas décadas, hoje inspiram preocupação. Além disso, ainda mais grave é saber que elas tendem a continuar obesas na idade adulta, com maiores riscos de desenvolverem problemas de saúde. Nesse sentido, percebe-se que essa doença do século XXI impacta negativamente a qualidade de vida e a saúde mental dessas crianças.
Em primeira análise, fatores psicossociais negativos são desencadeados pelo surgimento da obesidade. Isso porque, muitas vezes essa criança é estigmatizada, e tal processo restringe algumas atividades do cotidiano, como ir à praia, conversar com amigos em público, além da dificuldade de interação no ambiente escolar. Por conseguinte, as crianças obesas costumam ter sua autoestima bastante diminuída, sentem-se rejeitadas e tendem ao isolamento. Dessa forma, a percepção negativa que possuem de seus corpos repercute de forma prejudicial no comportamento e nas suas relações sociais.
Em uma segunda abordagem, a obesidade é uma das principais justificativas por trás do bullying. Em virtude disso, tornou-se comum atribuir aos indivíduos a responsabilidade pelo excesso de peso e pela mudança de comportamentos nocivos. No entanto, a noção generalizada de que o estigma pode servir de motivação para a perda de peso é equivocada, visto que as pessoas que são criticadas em função do excesso de peso tendem a desenvolver hábitos poucos saudáveis. Prova disso é o fato de muitas crianças que são chamadas de gordas durante a aula de educação física, por exemplo, preferirem não participar para evitar críticas. Assim, percebe-se que a prática do bullying pode dificultar as mudanças nos estilos de vida, como fazer dietas ou praticar atividades físicas.
Portanto, a obesidade traz efeitos negativos não só para a saúde física, mas também, e não menos importante, para a saúde psíquica do indivíduo. Nesse viés, faz-se necessário que as instituições escolares forneça acompanhamento psicológico às crianças com excesso de peso, com o intuito de estimulá-las a participarem das atividades em grupo, bem como incentivar práticas saudáveis, tendo enfoque na saúde e não na aceitação de seus colegas. Ademais, é primordial incluir reuniões frequentes com os pais, a fim de informá-los sobre o comportamento e a interação de seus filhos com os colegas, para que fiquem atentos aos sinais dos filhos, como falta de interesse pela escola, choros frequentes, sentimento de raiva, pois muitas crianças optam por esconder o problema. Assim, será possível resgatar a autoestima das crianças na busca por uma vida mais saudável.