Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 01/11/2017
De um lado o Ministério da Saúde, do outro a poderosa indústria de alimentos processados e, no meio deste ‘‘fogo cruzado’’, está a população brasileira presenciando o crescimento da obesidade. Nesse cenário, não só a má alimentação é a causa direta desse problema de saúde pública, como também o sedentarismo contribui para agravá-lo. Logo, coletividade e poder público devem unir forças para encontrar caminhos para essa demanda social.
A alimentação inadequada é a maior vilã dos casos de sobrepeso e obesidade. Segundo o sociólogo do século XXI, Zygmunt Bauman, a rapidez é a maior marca do mundo pós-moderno. Ou seja, as famílias do ‘‘mundo líquido’’ abastecem os seus lares com alimentos ultraprocessados devido à falta de tempo. Diante disso, adultos e crianças passam a ser nutridos, diariamente, por alimentos gordurosos e ricos em açúcares. Com isso, cria-se um círculo vicioso o qual contribui, sem dúvidas, para o aumento da obesidade e, sobretudo, o surgimento de problemas de saúde como diabetes e pressão alta.
Não bastasse o consumo de alimentos hipercalóricos e hiponutritivos, o sedentarismo também é protagonista na questão do excesso de peso. Prova disso é que o uso de aparelhos eletrônicos tomou o espaço do exercício físico como atividade de lazer da população. Nas escolas, por exemplo, muitas crianças não se interessam pelas brincadeiras tradicionais como esportes e dança, porém envolvem-se com jogos eletrônicos. Nesse sentido, é flagrante a ausência da atividade física no espaço educativo, visto que há falta de incentivo e até mesmo espaço inexistente para tais atividades, principalmente em colégios públicos o que torna ainda mais difícil combater os tristes índices de sobrepeso no Brasil.
Urge, portanto, que a sociedade e as instituições públicas cooperem no que tange aos efeitos da obesidade na saúde pública. Para tanto, a mídia deve divulgar programas que ensinem receitas rápidas com alimentos saudáveis nos comerciais de TV e em meios de alta acessibilidade como as redes sociais, contribuindo para famílias mais sadias. Ademais, as prefeituras devem construir, ampliar e por em funcionamento quadras esportivas e espaços recreativos nas escolas e comunidades, com o aporte financeiro da União, objetivando que educadores levem as crianças e os jovens para mexer o corpo com o intuito de lutar contra o sedentarismo, propiciando um futuro com pessoas mais ativas. Assim, será possível frear o crescimento da obesidade, bem como as suas consequências, tirando os brasileiros do meio daquele ‘‘fogo cruzado’’.