Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 01/11/2017

Segundo Émille Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “organismo vivo” por apresentar funcionalidade integrada, no qual caso houvesse uma parcela de indivíduos enfermos, estes prejudicariam o conjunto. Consoante a ideia de Durkhiem, hoje, a ausência de políticas de saúde capazes de reeducar os cidadãos é responsável por nutrir a obesidade no território nacional. Destarte, a interligação entre os segmentos do “organismo vivo” não é efetuado, afetando o aprimoramento social e a qualidade de vida no país.

É importante pontuar que a não realização de atividades de elevado gasto calórico é um fator conjuntural. Isso ocorre em função das mudanças no estilo de vida dos indivíduos. Nesse sentido, a ratificação do capitalismo cultural, que incentivou esse estilo de vida por meio da compra, sobretudo, de tecnologias que colabora para o ócio dos cidadãos por horas, como os celulares, e o descaso governamental em promover programas de transformação dos  costumes brasileiros impuseram à sociedade um padrão de vida pautado na comodidade. Como resultado disso, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a substituição de exercícios físicos por distrações tecnológicas propiciou mais de 65 milhões de inativos em 2013.

Outro ponto importante são as práticas alimentares com que há um ganho excessivo de peso pelos indivíduos. Assim, como é posto no livro de fisiologia médica Silverthorn, a prevalência de dietas inadequadas e o baixo gasto energético expõem o paciente ao quadro de doenças crônicas. Ademais, há uma série de agravamentos subsequentes que podem ser desenvolvidos pelo acometido, como diabetes mellitus e hipertensão. Com isso, gastos com tratamentos são gerados aos cofre públicos e a reabilitação devida a doenças crônicas torna-se-á mais cara que a profilaxia contra a obesidade, o que reafirma a ideia de Durkheim que uma parcela da sociedade doente afetaria toda a conjuntura, já que uma verba gasta nesses tratamentos poderia ser utilizada em outras segmentos públicos.

Logo, cabe ao Ministério da Educação, em junção com Conselho Federal de Medicina,  investir em um plano nacional de reeducação alimentar, feito pelos médicos especializados no assunto. Para isso, faz-se necessário mapear as áreas mais afetadas pela obesidade e criar nestas centros recuperação com nutricionistas, médicos e educadores físicos, a fim de fornecer aos obesos dietas adequada, acompanhamentos regulares ao médico, informando-lhes sobre os riscos à saúde  e planos de exercícios que ajudem esses cidadãos a mudar seu estilo de vida. Assim como, cabe à mídia promover campanhas sobre os riscos da obesidade, introduzindo o tema em telenovelas para alertá-los, bem como incentivá-los a praticar atividades físicas em seu cotidiano.