Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 06/03/2018
Na Idade Média durante o período Renascentista do século XVI, o excesso de peso era valorizado, sendo considerado como sinônimo de fartura, saúde e beleza, e era exaltado em obras de arte e retratos da época. Nesse contexto, contemporaneamente, apesar de não mais idealizada, a obesidade, infelizmente, cresce na população brasileira, evidenciando-se como um caso de saúde pública. Dessa forma, convém analisar as vertentes que englobam tal problemática.
Em primeiro plano, é indubitável que o acelerado e dinâmico mundo moderno influencia os indivíduos a adquirirem maus hábitos alimentares, juntamente com uma tímida prática de exercícios físicos. Nesse sentido, o indivíduo é inserido em uma sociedade em que o capital é prioridade em detrimento de valores humanos essenciais. Dessa forma, a excessiva jornada de trabalho somada à agitada vida moderna de deslocamentos instantâneos, faz com que, muitas vezes, a população priorize alimentos de rápido consumo - a exemplo dos “Fast-foods”- juntamente com o uso massivo dos meios de transportes, aumentando, assim, o sedentarismo e o sobrepeso. Isso pode ser evidenciado na pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em que constatou-se que apenas um em cada cinco brasileiros pratica exercícios físicos regularmente.
Outrossim, é factível que o avanço da indústria de alimentos processados e a sua imposição no mercado, impulsiona uma fragilidade na saúde dos indivíduos. Nessa âmbito, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma ação coercitiva a população. Partindo desse pressuposto, observa-se a propaganda massiva de produtos altamente calóricos e cada vez mais acessíveis, instigando o seu consumo e inevitavelmente, tornando uma dieta débil por parte da população com produtos pouco nutritivos e gordurosos, facilitando, assim, os riscos de doenças cardiovasculares e de diabetes. Em virtude disso, segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, mais da metade da população brasileira se encontra acima do peso.
Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, faz-se necessária a atuação Governamental, por intermédio da CONAR (Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) fiscalizar e punir financeiramente as empresas que realizam a propaganda massiva de seus produtos, bem como exija que tais empresas evidenciem nos rótulos de seus respectivos alimentos, algumas das consequências maléficas que tais produtos causam ao corpo, quando ingeridos em excesso. Ademais, cabe ao indivíduo uma maior flexibilidade quanto ao uso dos meios de transporte, optando por exemplo, por usar bicicleta quando for necessário se deslocar em distâncias menores, juntamente com uma alimentação diária equilibrada com frutas e legumes.