Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 14/04/2018

A urbanização e o vertiginoso crescimento econômico, potencializado pela globalização, são transformações ocorridas, nas remanescestes décadas, no cenário social e econômico de alguns países do globo, que promoveram o fenômeno da transição epidemiológica. Segundo essa transformação, a mortalidade por doenças infecciosas obteve uma redução significativa, transferindo, a preocupação de certas nações, como o Brasil, para a emergência, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma nova epidemia mundial, a obesidade. Essa enfermidade é caracterizada pelo excesso de gordura corporal e está associada, diretamente, à incidência de doenças intransmissíveis, tornando-se, por isso, um problema relevante de saúde pública.

De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, a obesidade cresceu, nos últimos anos, cerca de 60% entre os habitantes da pátria. O aumento nos casos de sobrepeso tem por base a mudança ocorrida no estilo de vida desses indivíduos, que com o advento do capitalismo, logo, necessidade  de produzirem/trabalharem para atenderem às suas necessidades básicas em um menor intervalo de tempo, optam pelo uso de transportes motorizados para se locomoverem até o local do emprego, diminuindo, assim, a realização de atividades físicas, que já era, relativamente, escassas em virtude da carência de tempo. Somando-se a isso, a ingestão de alimentos industrializados (extremamente calóricos e pouco nutritivos), que são mais práticos e, em média, menos onerosos quando comparados aos saudáveis, são fatores que contribuem, também, para o aumento da ocorrência da obesidade.

As consequências advindas dessa enfermidade são graves, dentre elas destacá-se o desenvolvimento de doenças não transmissíveis e crônicas, como a diabetes e a hipertensão, responsáveis, atualmente, por cerca de 75% das mortes no Brasil. Em um país, onde a conjuntura social presente se pauta no envelhecimento (haja visto, desde a década de 70, o aumento da expectativa de vida, com o acesso às políticas de prevenção), ter dependência dos serviços de saúde pública torná-se algo comum e mais corriqueiro, e, por isso, ser intensificada pelos impactos da obesidade, resulta em um quadro socioeconômico negativo, visto que o governo precisará desembolsar, ainda mais, na área da saúde.

Em vista disso, cabe ao Estado brasileiro, que é garantidor, consoante à sua Constituição, da saúde  igualitária aos seus habitantes, investir em medidas que previnam a obesidade e, por conseguinte, as doenças crônicas. Veiculando, em meios de comunicações, propagadas que estimulem o consumo de alimentos saudáveis, mostrando, para isso, os impactos nocivos, trazidos com a ingestão de alimentos ultra processados. Além disso, concerne, também, a criação de projetos que estimulem a prática de atividades físicas, como, aulas funcionais grátis nos fins de semana (tempo livre do trabalhador).