Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 26/04/2021
O filósofo Jean Paul Sartre defende que a liberdade é uma condição instransponível para o ser humano e somente a partir dela que ele se forma. Desse modo, em casos que hajam a privação desse direito básico, como no contexto hodierno da pandemia do novo coronavírus, seus efeitos são desastrosos, principalmente para as crianças, e agravados ainda mais em casos excepcionais.
A priori, a privação de liberdade ocasionada pela pandemia produz riscos potenciais para o desenvolvimento infantil. Dessa maneira, a impossibilidade de convívio social, afastamento da escola, mudança de rotina, exposição à desarmonia no ambiente familiar e elevado estresse dos pais são fatores que impactam a saúde mental e física da criança. Assim, casos como o aumento da dependência dos pais, regressão de comportamento, falta de apetite e sono, irritabilidade e desenvolvimento da ansiedade são as principais sequelas infantis geradas pela pandemia, de acordo com o levantamento realizado na província chinesa de Xianxim.
Ademais, a desigualdade social, resultada da crescente pobreza social e evidenciada com o cenário pandêmico, tem potencial de ocasionar mais desconforto na infância dessa parcela populacional. Segundo uma projeção do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), em apenas 3 meses de isolamento social houve um aumento de 15 milhões de casos de violência doméstica. Desse modo, a permanência maior dessas crianças em um ambiente familiar desestruturado, em detrimento do fechamento das escolas, elevou o número de crianças com fome e abusadas fisicamente e psicologicamente.
Em suma, está claro que o surto do novo coronavírus impactou a vida social, principalmente dos mais novos nos quais não compreendem seus desdobramentos. Portanto, é imprescincível um olhar atento do Ministério Público, em parceria com o Conselho Tutelar, na fiscalização doméstica, a partir de visitas periódicas e conversas sigilosas com essas crianças a fim de lhes assegurar o direito básico à qualidade de vida.