Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 30/04/2021
“Nenhum homem pode banhar-se no mesmo rio duas vezes”. O pensamento do filósofo Heraclito consagra o movimento perpétuo do mundo e as suas mudanças. Nesse sentido, o isolamento social, imposto pela pandemia do coronavírus, tem provocado bruscas transformações na vida das crianças e trouxe severos impactos sobre a sua socialização e sobre o seu desenvolvimento cognitivo. São prementes, pois, estratégias capazes de mitigar esses efeitos, como forma de reverenciar virtuosamente a vida de meninos e meninas.
A princípio, é fato que o período de quarentena comprometeu a habilidade de socialização infantil, de maneira ímpar. Nesse contexto, vale citar o filme “O quarto de Jack”, o qual retrata a jovem Joy e o seu filho, Jack, de cinco anos, que viveu isolado em um quarto desde que nasceu e apresentou dificuldade de adaptação quando foi apresentado à realidade fora do cômodo. De modo semelhante, o extenso afastamento das crianças do mundo exterior transformou a família em seu único círculo social, o que, a longo prazo, pode deixar sequelas irreparáveis relacionadas à sua socialização. Posto isso, em razão da falta de convivência com a diversidade, essas pessoas podem desenvolver uma dependência exacerbada dos pais, comprometendo a capacidade de manter vínculos afetivos, segundo levantamento do Ibope Inteligência.
Outrossim, o prejuízo cognitivo do público infantil é um preocupante resultado do isolamento social. Sob esse prisma, o filósofo John Locke, em sua teoria da “Tábula rasa”, afirma que o ser humano é uma folha em branco a ser preenchida por conhecimentos ao longo da vida. Entretanto, muitas crianças não têm sido preenchidas por novos aprendizados durante a pandemia do coronavírus. Tal fato pode ser justificado pelo longo tempo longe do ambiente escolar, o que levou incontáveis garotos e garotas a passarem grande parte do seu dia em jogos eletrônicos, em detrimento do recebimento de estímulos cognitivos, durante o período em que, segundo Drauzio Varella, as pessoas têm o maior potencial de absorver novos saberes. Sendo assim, em consequência da privação escolar, inúmeras crianças tendem a comprometer habilidades, tais quais leitura e criticidade, segundo a plataforma digital G1.
Portanto, “não é sobre ver o que ninguém viu, mas pensar o que ninguém pensou sobre aquilo que todo mundo vê”. Diante do pressuposto do filósofo Schopenhauer, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas, voltadas para os pais e responsáveis, por meio de propagandas nos aparelhos midiáticos, com dicas de jogos e brincadeiras que promovam uma socialização familiar e estimule o desenvolvimento intelectual infantil, com o intuito de reduzir as sequelas pandêmicas sobre os pequenos. Assim, as crianças poderão experimentar as mudanças consagradas por Heráclito.