Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 23/04/2021

Na obra literária “Ensaio sobre a cegueira” é retratada uma epidemia que acomete uma cidade inteira e abala negativamente o comportamento de toda a população local. Fora da ficção, observa-se na atualidade, realidade análoga à abordada no romance: a pandemia do novo coronavírus, somada à medidas de quarentena, reflete de forma prejudicial na sociedade, sobretudo no que diz respeito às crianças. Dessa forma, deve-se entender como o isolamento social influencia no desenvolvimento e na saúde mental dos mais novos e como resolver a problemática em questão.

Em primeira análise, cabe abordar como a pandemia da Covid 19 afeta o desenvolvimento na infância. isso porque, segundo o filósofo Friedrich Nietzsche, quando olha-se muito tempo para um abismo, o abismo passa a olhar para você. Tal lógia verifica-se assertiva na atualidade: a vivência de uma quebra brusca na rotina, somada ao prolongamento da quarentena, transforma-se em um “abismo psicológico” e faz com que os pequenos absorvam a tensão social a qual estão expostos, como explicitado na metáfora de Nietzsche. Em decorrência disso, as crianças desenvolvem sentimentos de incerteza e insegurança e retrocedem em processos de crescimento, a exemplo do desmame.

Ademais, outros reflexos da pandemia do coronavírus nos indivíduos em idade infantil é o desenvolvimento de transtornos psicológicos. Nesse sentido, o filme “Náufrago” retrata a história de um homem que, após ficar isolado em uma ilha, passa a atribuir características humanas a uma bola. Paralelamente, a realidade imita a ficção: O isolamento impede que os mais novos desfrutem da socialização e da oportunidade de formar novos laços com as pessoas ao seu entorno. Como consequência disso, crianças passam a sentir-se sozinhas e desnvolvem patologias psíquicas como depressão e ansiedade que os acompanharão por toda vida.

Fica claro, portanto, a necessidade de um debate internacional sobre o tema. No Brasil, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, estabelecer soluções para a problemática. Para isso, a implantação de auxílio psicológico na grade curricular de ensino, através de fornecimento de profissionais gratuitos e aptos para tal tarefa na rede pública, de modo a apoiar não só as crianças, como seus familiares, e assim assegurar o desenvolvimento saudável da infância, é fundamental. Além disso, a criação de atividades lúdicas que promovam o contato social com o cenário escolar e com os demais indivíduos da comunidade, respeitando as medidas sanitárias necessárias, de modo a evitar o completo isolamento e o desenvolvimento de transtornos emocionais, é de extrema importância. Somente assim, será possível amenizar o “abismo” da pandemia na infância, como dito por Nietzsche, e garantir que realidades como de “Ensaio sobre a cegueira” mantenham-se na ficção.