Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 23/04/2021

Em dezembro de 2019 um novo vírus começou a circular na China e rapidamente se espalhou por diversos países, incluindo o Brasil, e em função disso, em março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia. Esse surto causado pelo novo coronavírus – COVID-19, tem gerado modificações na vida cotidiana principalmente das crianças, que acabam sofrendo com as consequências negativas no bem-estar emocional e físico.

Inicialmente, conforme recomendações da OMS, foram adotadas medidas sanitárias para conter a rápida disseminação da doença, dentre elas, destaca-se o distanciamento social que implicou no fechamento das escolas, interferindo na rotina e nas relações interpessoais das crianças. Nesse contexto, os infantes começaram a apresentar reações psicológicas e alterações comportamentais, tais como: inquietação, irritabilidade, medo, tédio, alterações no padrão de sono e de alimentação. Esses dados foram apontados em um estudo realizados na província chinesa de Xanxim, revelando que não apenas os adultos, mas as crianças também podem desenvolver quadros de estresse e ansiedade.

Além disso, a quarentena traz outros riscos relacionados ao próprio isolamento dentro do lar. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, a interrupção da rotina na escola também aumenta a exposição dos pequenos às demandas especificas de saúde, ao risco de negligência e maus tratos, bem como ao abuso e à violência dentro de casa. Embora o número de denúncias de violência contra crianças e adolescentes no Brasil tenha caído 12% durante os meses da pandemia - segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para o advogado especialista em direito da infância e da juventude, Ariel de Castro, o fechamento das instituições de ensino pode ter influenciado na redução das denúncias, visto que a maioria dos casos são descobertos por meio desses locais.

Portanto, é imprescindível, que a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, com o apoio de uma equipe de saúde multidisciplinar e da população, busque meios para atenuar os danos causados as crianças. Logo, programas de saúde devem ser constituídos para identificar crianças de risco e oferecer aconselhamento psicopedagógico. Ao mesmo tempo, informações sobre como a sociedade deve estar atenta a qualquer suspeita de violência e as formas de denúncia, devem ser amplamente divulgadas através da mídia e das redes sociais.