Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 27/04/2021

Durante a Idade Média, a humanidade presenciou a peste bubônica, a qual dizimou cerca de dois terços da população europeia. Atualmente, embora proporcionalmente menos mortal, o novo coronavírus tem causado grandes perdas e prejuízos às pessoas e à sociedade, inclusive às crianças. Nestas, apesar do desenvolvimento da doença em si não ser tão preocupante quanto nos adultos, os males chegam através de efeitos da quarentena, entre eles, a privação à frequência escolar, fato que gera consequências as quais merecem ser analisadas.

Inicialmente, pode-se destacar que a quarentena – medida de isolamento social em resposta à pandemia –, afastando as crianças da escola, afasta-as também da interação interpessoal necessária ao seu desenvolvimento saudável. Semelhante situação é vista no filme “O Enigma de Kaspar Hauser”, baseado em fatos, o qual conta a história de um menino alemão que foi privado de qualquer contato social até os seus doze anos, quando o homem que o mantinha em cativeiro o libertou e abandonou. Kaspar foi adotado por uma família, porém persistiam grandes dificuldades para interagir socialmente, preferia estar sozinho, por mais que tentassem ensiná-lo e estimulá-lo. Essa dificuldade pode ser compreendida a partir do que afirmava Freud: os eventos e traumas vividos na infância são os que mais fixam-se no indivíduo, perdurando pela vida inteira. Desse modo, assim como Kaspar, a criança em quarentena, privada da interação social proporcionada pelo ambiente escolar, pode ser prejudicada no desenvolvimento presente e futuro de sua capacidade de relacionar-se interpessoalmente.

Outrossim, apartados dos estudos presenciais, os infantes passam mais tempo em casa, onde ficam suscetíveis a situações estressoras e prejudiciais. Isso é comprovado com as denúncias feitas pelo Ministério Público do aumento de casos, principalmente entre os mais pobres, de má alimentação e de abuso sexual infantil durante a quarentena. O primeiro, decorrente da falta de recursos ou da negligência dos pais, acostumados com a merenda escolar; o segundo, praticado por moradores do mesmo domicílio, às vezes pelos próprios genitores. Dessa forma, verifica-se que, especialmente entre os mais carentes, o isolamento das crianças em casa deixam-nas suscetíveis a moléstias.

Infere-se, portanto, diante do exposto, que os efeitos da pandemia e da quarentena nas crianças representa uma séria preocupação à sociedade. Assim, cabe ao poder executivo – responsável pela destinação de verbas –, por meio de dinheiro público, aumentar a velocidade de compra de vacinas contra o Covid-19, assim como de vacinação da população, a fim de que todos sejam vacinados em um tempo menor daquele que se prevê atualmente, possibilitando o retorno das crianças à escola o quanto antes.

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