Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 11/08/2021

No livro “Uma vida pequena”, de Hanya Yanagihara, o protagonista passa a infância isolado e sem contato com outras crianças, o que causa um grande impacto em suas relações com os outros. No contexto contemporâneo global, com a pandemia da covid-19, o isolamento social tornou-se imprescindível para evitar novas contaminações. Porém, analogamente à obra de Yanagihara, tal isolamento também afeta imensamente as crianças, que passam a ser privadas de suas interações com seus colegas, algo de extrema importância nesta fase da vida, o que causa diversas consequências psicológicas e comportamentais.

Primeiramente, o isolamento social reflete no psicológico dos jovens. Segundo o pensador Jean-Jacques Rousseau, o homem é um ser sociável por natureza; ou seja, para se manter a saúde do indivíduo e assegurar o seu pleno desenvolvimento, é necessária a convivência com seus semelhantes. Porém, com a quarentena, as crianças foram privadas de tais relações, e, devido a isso, de acordo com o pensamento do filósofo, sua saúde mental sofreu um declínio: os casos de desatenção, ansiedade e depressão se mostraram mais acentuados nesse período, como mostram pesquisas da região de Xianxim, na China. Logo, a falta de convívio com outras pessoas se mostra como um importante fator para os diversos efeitos psicológicos negativos em crianças durante a pandemia.

Em segundo lugar, são observados também efeitos comportamentais, frutos do grande tempo de confinamento enfrentado pelas crianças. Comportamentos marcados pela agitação e irritabilidade, em que os jovens se mostram mais propensos a brigas e discussões, passam a ser comuns, visto que o isolamento, muitas vezes, não permite que estes extravasem seus sentimentos negativos fora de casa. Além disso, atos de extremo apego ou que demonstrem regressão de idade também podem se fazer presentes, nos quais a criança, ao não vivenciar novas experiências no mundo exterior ao seu ambiente diário, não é  capaz de se desapegar de velhos hábitos, como o uso da chupeta. Dessa forma, o isolamento também é responsável por diversos desvios comportamentais nos pequenos.

Portanto, são perceptíveis os diversos impactos psicológicos e comportamentais do isolamento social nas crianças. Visando a diminuição destes, é imprescindível que os jovens tenham seu convívio com os outros reestabelecido, respeitando as normas de segurança. Para isso, as escolas devem funcionar e permitir a interação dos alunos, seguindo todas as medidas de higiene e prevenção; parques e playgrounds também devem permitir seu uso, afim de que as crianças possam extravasar e interagir nestes e, consequentemente, seja observado uma melhora em tais efeitos negativos do confinamento.