Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 25/04/2021

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) — conjunto de protocolos que visam o bem-estar de toda a humanidade — todo ser humano, a partir do momento que nasce, tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe saúde, conforto e segurança. Contudo, quando se observa o atual cenário pandêmico do mundo, percebe-se que essa garantia não se encontra totalmente assegurada, tendo em vista os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças. Viabilizando, assim, uma análise das doenças mentais e da obesidade infantil como as principais consequências da crise de saúde global na comunidade infantil.

Nesse contexto, segundo a reportagem do Jornal da USP, “O custo da pandemia sobre a saúde mental de crianças e adolescentes”, o principal causador das doenças psicossomáticas nos menores de 18 anos é o estresse, proveniente do constante medo frente ao Covid-19, o qual limita o contato íntimo, a interação social e o direito de ir e vir livremente dos indivíduos. De modo a tornar como a base da rotina das crianças durante a pandemia, o uso desacerbado das tecnologias, que vai desde o despertar até a hora de ir dormir, quando não são estabelecidos limites pelos pais e responsáveis. De tal forma que origina, consequentemente, um ser humano antissocial, depressivo e ansioso, o qual tem medo do mundo e que encontra na comida o meio de extravasar os seus sentimentos, conforme pontua estudos efetuados em 2020 pela Academia Americana de Pediatria (AAP).

Com base nisso, é exatamente na compulsão alimentar que se aloja o outro problema ocasionado pela pandemia nas crianças, uma vez que a ausência de uma rotina saudável, na qual exista a presença de atividades físicas e de uma alimentação balanceada, é a causadora do aumento de casos de obesidade infantil. Consoante a isso, estudos da AAP também apontam que o uso da comida como refúgiu em momentos de estresse, medo ou tristeza é uma das principais ocorrências durante esse período de crise sanitária e hospitalar, uma vez que devido ao uso excessivo de aparelhos eletrônicos as pessoas sentem 62% mais vontade de comer, segundo especialistas da organização. De maneira a levar, em conjunto com o sedentarismo, ao excesso de peso quando não controlado pela família.

Assim, o Ministério da Saúde — órgão responsável pela assistência à saúde da população brasileira — deve elaborar e disponibilizar para os pais, por meio de um protocolo sanitário, uma série de recomendações sobre como cuidar do emocional das crianças e garantir uma rotina saudável para elas, em que haja uma dieta balanceada, uma constância na pratica de exercícios físicos e um controle de horas do uso de tecnologias, visando alcançar, então, a redução dos índices de doenças mentais e obesidade no círculo infantil, através da garantia do bem-estar social nele, conforme legitima a DUDH.