Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 25/04/2021
O livro “O Holocausto brasileiro”, de Daniela Arbex, relata, também, o episódio dos “Meninos de Oliveira”, pacientes da ala infantil Hospital Psiquiátrico de Colônia, em Barbacena, no qual estes, confinados à realidade manicomial do estabelecimento, são afastados do mundo exterior, o que faz com que não se desenvolvam intrapessoalmente ou interpessoalmente, deixando-os com sequelas de curto, médio e longo prazo. Nesse sentido, na contemporaneidade, ao observar o dia a dia das crianças em meio ao isolamento social da pandemia do Coronavírus, constata-se que os efeitos da quarentena na classe juvenil, em paralelo ao cenário supracitado, desestimulam o desenvolvimento de jovens, o que gera uma sociedade fadada a sequelas, seja de modo interpessoal ou intrapessoal. Por isso, graças à privação da evolução cognitiva infantil e à coibição de um crescimento como indivíduo social, no isolamento, são advindos impasses à parcela jovem da sociedade.
Em primeiro plano, o desestímulo à progressão intelectiva das crianças na quarentena é um agravante do problema. Nesse viés, de acordo com a linha de pensamento do cientista alemão Albert Einstein: “Uma mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. Sob essa óptica, no momento em que os jovens, afastados de vertentes de raciocínio diferentes das suas, não recebem incentivos ao discernimento próprio, devido ao afastamento de outros indivíduos divergentes ideologicamente no isolamento social, há uma estagnação cognitiva e intrapessoal, o que, futuramente, torna as crianças indivíduos manipuláveis e ignorantes. Logo, devido à não incidência de novos ideais na classe juvenil, fator, segundo Einstein, fulcral, a realidade na quarentena deixa sequelas nesta.
Ademais, o desencorajamento ao desenvolvimento de crianças como seres em uma sociedade na pandemia agrava o quadro. Nesse contexto, o conceito de fato social, defendido pelo sociólogo Emile Durkeim, diz respeito às maneiras de agir dos indivíduos de um determinado grupo e da humanidade em geral, o que molda a coletividade. Dessa maneira, a partir do instante em que as crianças não têm contanto com o mundo exterior, sua percepção de vivência coletiva se torna fragmentada, o que os torna indivíduos comprometidos interpessoalmente, inabilitando-os de agir em meio a um corpo social. Assim, graças aos obstáculos advindos com o isolamento são necessárias medidas de intervenção.
Portanto, depreende-se que os efeitos da quarentena nas crianças são tidos como desafios e carecem de solução. Sendo assim, o governo de cada respectivo município deve, por meio de campanhas colaborativas com as famílias, realizar encontros virtuais periódicos, a fim de viabilizar o contato entre jovens, desenvolvendo, assim, a capacidade cognitiva e a habilidade social destes e, consequentemente, retirando-os dessa “realidade manicomial”, como visto em “Holocausto brasileiro”.