Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 02/05/2021

A raiz de uma planta, no estudo da botânica, é de suma importância para nutri-lá. Por meio da distribuição de nutrientes, as folhas e galhos são capazes de crescerem. Analogamente, pode-se considerar as crianças como as “raízes” de uma sociedade, pois, caberá a elas, no futuro, nutrir a comunidade. No entanto, assim como uma planta pode vir a ser prejudicada, as crianças também sofrem prejuízos, os quais, no âmbito da COVID-19, são agravados pela decadência de aprendizado, devido as restrições sobre o ensino presencial, além da perpetuação de hábitos sedentários.

Em primeiro plano, a supressão das aulas presenciais pode dificultar o aprendizado infantil. Segundo o filósofo grego Platão, a maior virtude de uma criança é a de ser moldada em um grande adulto. Nessa vista, a escola entra como um ponto-chave para essa modelagem, já que, principalmente entre os mais jovens, haverá o primeiro contato com os estudos. Entretanto, apesar da medida necessária, a restrição das aulas presenciais aparece como um entrave a este aprendizado, em especial aos mais pobres, os quais terão dificuldades em acessar as aulas on-line e não terão materiais de estudo disponibilizados pela maioria das escolas públicas.

Ademais, como mais um efeito negativo da quarentena, surge a possível sedentarização das crianças. De acordo com o médico Daniel Santos, a atividade física na infância auxilia no combate a ansiedade, depressão e à prevenção contra o câncer. Todavia, com o fechamento de academias e parques, junto ao pouco espaço nas casas dos moradores, a manutenção das práticas corporais nos mais jovens se tornou deficitária. Soma-se, ainda, o aumento de horas diantes de dispositivos eletrônicos, o que, por consequência, acarreta em problemas, tanto diretos, como o ganho de peso e maior propensão a doenças cardíacas, quanto as desordens mentais, como sintomas depressivos.

Isto posto, são necessárias medidas para amenizar os efeitos da pandemia nos mais jovens. Diante disto, o Ministério da Educação deve contribuir com o ensino das crianças mais pobres, por meio da distribuição grátis ao acesso a internet, além de materiais com atividades e cartilhas de literacia familiar aos responsáveis, para que aqueles que estudem em escolas públicas tenham o ensino equivalente ao dos mais beneficiados financeiramente. Paralelamente, o gabinete também deve divulgar, para os pais, por meio de comerciais televisivos e redes sociais, brincadeiras que possam ser exercidas com as crianças dentro de casa, em especial nos locais mais apertados, para que todas tenham maior entretenimento e movimentem mais o corpo durante a pandemia. Tais medidas são básicas, todavia, precisas para manter, em meio a quarentena, as “raízes” saudáveis e felizes.