Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 29/04/2021
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando essa pensamento a um contexto de saúde mental, os efeitos da pandemia de coronavírus nas crianças funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de prioridade e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, o isolamento social da população e, principalmente, das crianças mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Thomas Hobbes, “é dever do estado garantir o bem-estar social”. Nessa fala do filósofo é perceptível que o órgão máximo de justiça deve ser capaz de realizar ações afirmativas que visem melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, mesmo em crises e pandemias globais; porém, isso não está acontecendo, como pode ser visto na falta de atenção com a saúde mental de crianças até os 10 anos em que não são prioridade para tratamentos, estudos e consultas psicológicas, perdendo lugar para os adultos. Essa ação com origem na privação de relações sociais resulta no aumento de depressões, ansiedades, desatenção e sono desregulado, entre os mais jovens, de acordo com Guilherme Polanzchuk, professor de psicologia. Com isso, se medidas não forem feitas para mudar essa situação, o futuro estará fragilizado.
Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre a incidência de comorbidades mentais em crianças pela população e os pais apresenta-se como outro fator dificultador da resolução da problemática. Assim, Annah Arendt, na teoria da Banalidade do mal, argumenta que o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando com o caso de descrença coletiva em relação às crianças sofrerem de ansiedade e depressão, tipicamente referenciados a adultos, devido à carência de informações – dados, fatos, exemplos – que mudem esse comportamento de trivialidade. Esse ato prejudica a correta ajuda para com os juvenis, visto que os pais trazem enraizado em suas criações familiares essa falta de incentivo para cuidar do psicológico dos filhos, acarretando jovens depressivos e antissociais.
Portando, medidas são necessárias para impedir que o problema persista. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde realizar ações afirmativas que visem melhorar a situação das crianças que sofrem com o isolamento social, por meio de consultas com psicólogos de forma “online” e gratuita para toda população. Esse projeto será feito junto às instituições de ensino superior em que estudantes de psicologia exercerão a profissão, ensinando os jovens a lidar com as dificuldades de falta de interações sociais, de modo que essa faixa etária se torne prioridade do governo, resultando na melhora da saúde. mental do coletivo.