Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 26/04/2021
Infância na pandemia
Máscaras. Álcool 70%. Isolamento. A pandemia do novo coronavírus, cientificamente denominado SARS-CoV-2, modificou rapidamente os hábitos de todo o mundo e, pautada no distanciamento e isolamento social, afetou a população mundial econômica e mentalmente. No entanto, não só os adultos têm sofrido para se adaptar à rotina da quarentena: as crianças também estão tendo dificuldades com os efeitos da pandemia, tais como a diminuição do aprendizado e o prejuízo à socialização.
Dentre essas dificuldades, a diminuição na eficiência do aprendizado pode ser justificada pela adesão ao ensino remoto, o qual se mostrou pouco eficiente no Brasil. Tal ineficácia é ocasionada pela imensa desigualdade social existente no país, que dificulta o acesso à internet - e às aulas- por alunos de baixa renda. Além disso, efeitos comportamentais surgidos no isolamento também interferem na qualidade do ensino às crianças, tais como a desconcentração, inquietação, alterações no sono e demais apresentados na cartilha criada pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde, da Fiocruz.
Outrossim, a pandemia e a quarentena afetam diretamente a socialização secundária das crianças. Isso porque o período escolar é a fase de maior interação e intensidade do processo de socialização secundária, conceito da Sociologia que compreende um período de formação da identidade do indivíduo. Sendo baseada no empirismo e influências externas ao ambiente familiar, essa socialização é prejudicada no isolamento, uma vez que os petizes se afastam das escolas, igrejas e toda a comunidade e se privam das intervenções extrínsecas.
Dessarte, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Educação e Cultura (MEC), contribuir para o melhoramento do ensino à distância, por meio de programas que ofereçam aos alunos de baixa renda acesso gratuito à internet, além da garantia de disponibilização dos materiais impressos para a realização das atividades. Desse modo, será possível atenuar os efeitos prejudiciais da quarentena e da desigualdade econômica sobre a educação pública brasileira, além de facilitar a interação dos estudantes com o ambiente e a comunidade escolar e, com isso, promover uma melhor socialização das crianças.