Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 26/04/2021
Brinquedos ou máscaras?
Diante de situações calamitosas,como a epidemia sanitária de COVID-19,o Estado,provedor do bem-estar coletivo,é coagido a intervir coercivamente na dinâmica social.Todavia,medidas profiláticas adotadas em frente ao cenário de urgência pública,como o isolamento social,reificam prejuízos secundários,dentre os quais evidencia-se o déficit no desenvolvimento cognitivo de indivíduos em formação e originam deficiências psíquicas intrínsecas ao ser.
Transformações repentinas no estilo de vida secular de uma sociedade atingem,segundo o filósofo francês Piaget,primordialmente crianças,uma vez que encontram-se em fase de crescimento pessoal e emocional.Não obstante,construções psicológicas advindas da infância sistematizam padrões comportamentais e reacionais,de forma que a implantação e normalização de cenários sociais deturpados,gerados a partir de condições pandêmicas,são absorvidos pelas crianças,e em grande parcela dos casos,ocasionam prejuízos irreversíveis aos seres.
A imaturidade do córtex infantil quanto à distinção entre a dinâmica social pandêmica e real fomenta disfunções basais relacionadas aos valores éticos e morais,capacidade comunicativa e comportamento social.Outrossim,é inevitável,segundo o sociólogo Émile Durkheim,que um corpo social desenvolvido a partir de axiomas individualistas e privatistas,não subverteja-se fatalmente à anomia social e conseguinte desintegração progressiva da comunidade como nação.
Diante das taxas crescentes e alarmantes acerca dos malefícios do isolamento social na infância,a interferência da OMS-Organização Mundial de Saúde- através de programas recreativos associativos,divulgados virtualmente,que oportunizem o contato direto de indivíduos em formação com os valores necessários à um ser social eticamente correto, torna-se crucial na amenização de danos sociais a longo prazo.