Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 03/05/2021

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde caracterizou a COVID-19 como uma pandemia. Essa condição trouxe a necessidade de quarentena, distanciamento social e, consequentemente, o fechamento das escolas, como medidas de prevenção ao contágio. Dessa forma, o cotidiano foi abalado, com efeitos nocivos ao desenvolvimento corporal, afetivo e social da criança. Para minimizá-los, convém contribuir para ampliar as experiências das crianças, no seio das famílias, rompendo com o adultocentrismo – a postura que toma como referência o adulto na validação de sentimentos e pensamentos infantis.

Nesse sentido, cabe reconhecer que, no contexto pandêmico, o excesso de exposição a telas e a restrição dos movimentos corporais fragmentam os domínios cognitivo, afetivo e motor no processo de constituição da pessoa. Contudo, tais domínios são considerados por H. Wallon como igualmente importantes no desenvolvimento humano. Isso, por sua vez, torna evidente os limites do ensino remoto emergencial, que permite a apropriação de conceitos, mas inviabiliza a experiência integral.

Além dessa fragmentação, a quarentena tende a deixar em risco  alguns postulados da Convenção dos Direitos da Criança, como direito à brincadeira, diminuindo os espaços de expressão motora e lúdica, e à proteção contra relações de dominação etária, com imposição de tarefas definidas sem a parceria das crianças.

Sendo assim, as famílias devem se dedicar na construção de espaços de participação e diálogo com os pequenos, por meio da sua inclusão em tomadas de decisão nas tarefas da vida familiar, pois atividades que podem parecer simples, como realizar uma refeição, brincar e ouvir sobre os medos e dúvidas, possibilitam um sentimento de comunidade entre pais, mães e filhos, contribuindo não apenas para proteger, mas também para assumir a criança como parceira social no enfrentamento dos efeitos da quarentena.