Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 04/06/2021
A pandemia foi uma surpresa para toda humanidade. Apesar dos diversos relatos históricos que versam sobre patologias como a Peste Negra ou a Gripe Aviária as quais assolaram diversas comunidades, ninguém estava preparado para lidar de fato com as consequências que um evento como esse propõe. No tocante às crianças, tais efeitos se mostram ainda mais prejudiciais e duradouros uma vez que essas reagem aos acontecimentos sem muitas vezes, conseguir descrever angustias e dores com precisão. Nesse sentido, faz-se necessária a parceria entre familiares e profissionais de saúde na busca por atenuar os efeitos da pandemia em crianças.
Em primeiro plano, sabe- se que no contexto atual, desvencilhar-se da tecnologia está cada vez mais difícil. No atual contexto vivido, essa tem sido uma “ válvula de escape” em todas as esferas sociais, para os pequenos, por exemplo, as distrações com jogos e filmes tornam a tecnologia quase que indispensável para mantê-los em quarentena. No entanto, é preciso considerar que, conforme pesquisas do INA ( Instituto de Neurociências Aplicadas) a exposição exacerbada de crianças à internet e aos aparelhos eletrônicos no período de pandemia está desencadeando casos cada vez mais precoces e arriscados de transtornos psíquicos como a depressão e a ansiedade, visto que, afastadas da realidade, não conseguem lidar com ela, tornando-se vulneráveis.
Em segundo plano, outro importante fator que culmina em efeito negativo da quarentena é o afastamento das crianças do ambiente escolar. Segundo aponta a SBU( Sociedade Brasileira de Urologia) em pesquisas feitas em setembro de 2020 pela referida organização, o retraimento do convívio escolar fez com que houvesse um aumento perceptível nos níveis de irritabilidade, ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes. Ademais, consoante ao CNTE (Conselho Nacional de Trabalhadores da Educação) os níveis de evasão escolar, haja vista as dificuldades enfrentadas para adaptar-se ao ensino remoto, também cresceu. Assim, é perceptível que, mesmo os esforços da educação remota não se sobrepõem a importância do convívio social, principalmente na infância, fase na qual valores como a tolerância e o respeito são consolidados. Sendo assim, esta é uma lacuna evidente e nefasta do período de isolamento.
Assim, é imprescindível que a família, uma vez que é o único grupo social com o qual as crianças estão interagindo no momento, esteja atenta a mudanças no comportamento delas a fim de ajuda-las a se adaptar ao contexto pandêmico sem dificuldades e, se necessário, procurar intervenção por meio de profissionais especializados.